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10 de dezembro de 2019, 10h48

Desemprego atinge 30% dos jovens em São Paulo, diz pesquisa

Um dos fatores que explica essa realidade é a falta de experiência: 44% dos jovens se queixam deste pré-requisito

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasil

Ao menos 30% dos jovens paulistanos entre 14 e 29 anos estão desempregados, de acordo com a pesquisa Juventude e Mercado de Trabalho, divulgada pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Um dos fatores que explica essa realidade é a falta de experiência: 44% dos jovens se queixam deste pré-requisito. Outros 29% afirmam que “não ter formação” é o principal agravante.

De fato, a juventude paulistana está longe das universidades. Cerca de 72% dos jovens que participaram da pesquisa não possuem ensino superior. Ao todo, 67% estudam, sendo que 30% possuem Ensino Médio e apenas 6% Superior Completo. “A pesquisa mostra que o número de ‘nem-nem’; na cidade de São Paulo, àqueles que nem estudam e nem trabalham, é de 8%, contra os 24% estimados em todo o país pelo IBGE”, afirma Paulo Silvino Ribeiro, coordenador do núcleo de pesquisas da FESPSP. “O número cresce, no entanto, entre os jovens de 21 a 29 anos. São 9% os que nem trabalham, nem estudam”, continua.

Outro dado alarmante revelado pela pesquisa é o fato de que 30% dos jovens já sofreram ou estão sofrendo algum tipo de assédio no trabalho. Destes, 59% são mulheres e 39% têm entre 19 e 21 anos. “País machista, misógino, é compreensível esse tipo de número”, comenta o sociólogo.

A pesquisa ouviu 400 jovens entre 15 e 29 anos nas cinco regiões da cidade entre 10 e 23 de setembro. O levantamento possui 95% de nível de confiança e 5% de margem de erro.

Racismo

As sequelas da desigualdade racial do país ainda reverberam na educação e mercado de trabalho de São Paulo. De acordo com a pesquisa, na comparação da formação escolar dos indivíduos considerando a cor, os brancos têm maior escolaridade, principalmente em termos de Ensino Superior e Ensino Técnico Profissionalizante, o que significa vantagem na competição por vagas no mercado. O levantamento registrou que 74% dos estudantes que estão em Ensino Superior em São Paulo são brancos, enquanto apenas 26% são negros.

Quanto ao trabalho, 55% trabalham e 46% não trabalham ou nunca trabalharam. Além disso, pessoas brancas ocupam mais postos de trabalho que negros, 53% contra 42%, respectivamente.

Otimismo

A maioria dos jovens que participaram da pesquisa tem uma visão otimista em relação à possibilidade de estar empregado com carteira assinada daqui a 5 anos. Ribeiro avalia que este fenômeno vai na contramão do discurso neoliberal de valorização do empreendedorismo entre a juventude, além de refletir certa insegurança dos jovens no mercado de trabalho.

“Toda essa história de que o jovem tem que ser empreendedor, tem que abrir sua startup, é um pouco complicada. Em tempos de crise econômica, o que predomina é a insegurança. Ser empreendedor é arriscar em um contexto que já é hostil. O otimismo com relação a ter um emprego fixo, portanto, vai na contramão do discurso atual”, explica.


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