Filhos de Bolsonaro ignoram 24 vítimas e lamentam apenas morte de policial durante chacina do Jacarezinho

Eduardo Bolsonaro aproveitou a operação para atacar o PSOL

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comentaram sobre a chacina do Jacarezinho e lamentaram apenas a morte do policial ocorrida durante a operação que é considerada uma das mais letais da história da cidade. Eduardo aproveitou ainda para atacar o PSOL.

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Até o momento, são 25 mortes confirmadas em razão da “Operação Exceptis” da Polícia Civil do Rio de Janeiro na Favela do Jacarezinho, que contou com 200 policiais. É possível que este doloroso número aumente durante o dia. O nome da maioria das vítimas não foi revelado, apenas se sabe que uma delas era um policial, André Vargas, de 45 anos.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a ação para cumprir 21 mandados de prisão. No entanto, o resultado apontou que desses, apenas seis foram presos e outros seis, mortos. Dessa maneira, a maioria dos mortos não era sequer alvo da PC.

Foi apenas sobre este policial que os filhos do presidente Jair Bolsonaro se manifestaram. A operação, comandada pelo governo Cláudio Castro (PSC), aconteceu um dia depois do presidente visitar o Rio e encontrar o governador.

“Meus sentimentos à família do Inspetor de Polícia André Leonardo de Mello Frias, que tombou na honrada missão de defender nossa sociedade do crime organizado. Dar a vida pela nossa segurança não é para qualquer é um, é para corajosos e vocacionados! Que Deus o tenha”, escreveu Flávio.

O deputado Eduardo Bolsonaro ainda aproveitou a situação para atacar o PSOL. “Não surpreende ver deputados do PSOL defendendo bandido enquanto policial tomba em serviço. Surpreende é pessoas acharem que PSOL defende pobre, quando é justamente nas zonas mais humildes que eles são menos votados As teorias psolistas não duram 1 dia de realidade numa favela”, escreveu.

A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi uma das que condenou com veemência a operação. “Necropolítica! O que acontece no Jacarezinho hoje é terrorismo de Estado, é extermínio, é chacina comandada por Cláudio Castro”, disse.

Questionada pela Fórum, Monteiro afirmou que “o governador Claudio Castro deve ser responsabilizado por não ter paralisado essa operação quando já se noticiava na imprensa o derramamento de sangue e o número absurdo de vítimas”.

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“É necessário também que se levante se houve alguma orientação para execuções e de onde teria partido essa ordem. A contínua afronta da Secretaria de Segurança do Estado à decisão liminar obtida na ADPF 635, que determina a suspensão das operações na vigência das medidas de contenção da pandemia, precisa de esclarecimentos imediatos. E quem nos deve esses esclarecimentos é Cláudio Castro. A nós, cabe dizermos que não, essa não é a política de segurança pública que nos serve”, afirma a deputada Dani Monteiro, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, que está acompanhando o caso e dando suporte às famílias”, completou.

O ex-presidente Lula também se manifestou sobre o caso: “É grave uma operação policial terminar na morte de 25 pessoas. Isso não é segurança pública. É a ausência do Estado oferecendo educação e emprego a causa de boa parte da violência. Os brasileiros estão morrendo sem vacina, de fome e pela violência. Vidas brasileiras importam”.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e pela América Latina, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum Global

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