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26 de junho de 2020, 10h34

Idosa é resgatada de trabalho escravo em casa no Alto dos Pinheiros em SP

Mariah Corazza Üstündag não pagava salários à trabalhadora desde 2011. Idosa estava abandonada em imóvel dos patrões e sem acesso a banheiro

Local onde idosa foi resgatada em bairro nobre da capital paulista (Foto: Ministério Público do Trabalho)

Uma idosa de 61 anos foi resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de uma casa no Alto de Pinheiros, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, por viver em condições análogas à escravidão. Empregada doméstica, ela não recebia salários desde 2011.

A executiva e patroa da vítima, Mariah Corazza Üstündag, 29 anos, foi presa em flagrante na quinta-feira (18), mas pagou fiança de R$ 2.100 e foi solta. Mariah é gerente na Avon e filha da cosmetóloga Sônia Corazza, conhecida consultora na indústria de produtos de beleza.

Mariah Corazza Üstündag (Reprodução)

A trabalhadora foi encontrada morando sozinha no imóvel em um quarto nos fundos do terreno. Abandonada pelos patrões, que se mudaram de residência, a casa precisou ser arrombada pelas autoridades.

O quarto em que a idosa vivia, segundo os procuradores, era uma espécie de depósito e tinha cadeiras, estantes e caixas amontoadas. Um sofá velho era utilizado como cama e não havia banheiro disponível.

A Justiça do Trabalho em São Paulo bloqueou os bens dos patrões e determinou a liberação de três parcelas do seguro-desemprego para a vítima. O MPT pediu à Justiça que o casal também fosse obrigado a pagar uma pensão no valor de um salário mínimo.

Avon se manifesta

Após a publicação da matéria mostrando que a executiva que manteve a idosa em trabalho escravo era funcionária da Avon, a empresa enviou à Fórum uma nota informando que tem “compromisso irrestrito com a defesa dos direitos humanos” e que Mariah Corazza não integra mais os quadros de colaboradores da companhia.

Confira a íntegra da nota.

“Com grande pesar, a Avon tomou conhecimento de denúncias de violações dos direitos humanos por um de seus colaboradores. Diante dos fatos noticiados, reforçamos nosso compromisso irrestrito com a defesa dos direitos humanos, a transparência e a ética, valores que permeiam nossa história há mais de 130 anos. Informamos que a funcionária não integra mais o quadro de colaboradores da companhia. A Avon está se mobilizando para prestar o acolhimento à vítima”

*Matéria atualizada às 19h39 em 26/06/2020 para acréscimo da nota da Avon

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