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13 de julho de 2019, 18h16

Igreja Católica pode pagar US$ 3 milhões a ex-coroinhas que teriam sido abusados por padre brasileiro

O pedido se baseia no decreto assinado pelo Papa Francisco que obriga o clero a denunciar suspeitas de crimes sexuais às autoridades da Igreja e indica que as vítimas possam ser reparadas

Pedro Leandro Ricardo, que está afastado do sacerdócio por denúncias de pedofilia (Reprodução)

O padre brasileiro Pedro Leandro Ricardo está sendo acusado de abuso e assédio sexual por seis ex-coroinhas. As supostas vítimas estão cobrando à Igreja Católica indenizações que chegam a US$ 3 milhões (mais de R$ 11 milhões).

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De acordo com reportagem do jornal O Globo neste sábado (13), o pedido se baseia no decreto assinado pelo Papa Franciso que obriga o clero a denunciar suspeitas de crimes sexuais às autoridades da Igreja e indica que as vítimas podem ser reparadas.

Cada ex-coroinha pode receber US$ 500 mil, assim como as indenizações pagas pela Igreja nos Estados Unidos. “Pedimos o que o Papa determinou. Não é para que ninguém fique rico. Estamos falando de pessoas que foram abusadas desde a adolescência”, confirmou Roberto Tardelli, um dos advogados dos ex-coroinhas.

Afastado do cargo após as denúncias, o padre Leandro trabalhava na Diocese de Limeira (SP). Por causa dos relatos, o bispo local, Dom Vilson Dias de Oliveira, também renunciou, pedido que foi aceito por Francisco em maio deste ano. Vilson teria acobertado os supostos crimes praticados pelo padre e ainda teria extorquido sacerdotes suspeitos. Os acusados alegam inocência.

Segundo o advogado, na próxima terça-feira (16), haverá uma reunião com a Diocese de Limeira. As denúncias estão sendo investigadas também pela polícia. As supostas vítimas do padre Leandro são três homens, duas transexuais e uma mulher.

“Era coroinha e andava de carro com o padre Pedro Leandro Ricardo para os trabalhos da igreja. […] Em um sábado, convidou-me para dormir na casa paroquial porque iríamos celebrar missa no domingo. Fiquei sozinho com ele. O padre perguntava se eu tinha namorada, se eu era virgem… No meio da conversa, abriu um vinho e pediu que eu bebesse. Eu tinha 17 anos. […] Depois, foi ao banho. Quando voltou, vestia apenas uma cueca samba-canção. O pênis estava ereto, marcando o tecido. Veio em direção ao sofá, começou a se masturbar e pediu que eu fizesse sexo oral nele. Mesmo com a minha recusa, começou a acariciar meu pênis. Fiquei em choque e me levantei. Não fizemos nada”, contou à revista Veja o ex-coroinha Ednan Aparecido Vieira, hoje com 35 anos.

Outro relato foi de Paula Vallentin, que agora está com 25 anos: “O padre Pedro Leandro Ricardo me olhava de forma diferente. Eu tinha 16 anos, quando ainda não me entendia como uma mulher transexual. Como meu pai havia morrido, achava que o pároco tinha carinho por mim. Ele começou a ficar ao meu lado enquanto eu vestia a túnica de coroinha. Depois, passou a me ajudar com as vestes para tocar o meu corpo, com a desculpa de desamassar o tecido. Um dia, abriu as minhas pernas e segurou as minhas coxas. Dei um berro na sacristia e saí correndo. […] Após o episódio, Leandro me tirou das atividades da igreja”.


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