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17 de fevereiro de 2019, 12h47

Indígena da etnia pareci é torturado e tem braço amputado devido aos ferimentos graves

Ele se fingiu de morto quando foi jogado perto de um conjunto habitacional em São Carlos; criminosos diziam “que agora presidente autorizou matar índio”

Foto: Reprodução/Facebook

Por RBA

A polícia ainda não sabe quem roubou, sequestrou e torturou um indígena da etnia pareci, de 39 anos, residente em São Carlos, interior de São Paulo. No dia 18 de janeiro, ele teve ferramentas de sua oficina roubadas, foi violentamente agredido por três homens e sequestrado por algumas horas, até que foi abandonado perto de um conjunto habitacional. Segundo relato em uma rede social, os criminosos diziam “que agora o presidente autorizou matar índio”.

A vítima foi socorrida e levada para uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e depois transferida para a Santa Casa de Misericórdia de São Carlos com lesões graves. A polícia só tomou conhecimento do caso quase um mês depois, no dia 12 de fevereiro, por meio de uma denúncia.

Fotos postadas por moradores em uma rede social mostram que ele teve um braço amputado devido à gravidade dos ferimentos. Segundo relatos de parentes, que não se identificaram temendo represálias, o índio levou marteladas na cabeça e em todo o corpo, além de ter sido mordido no braço e na mão.

Como se fosse pouco, os agressores ainda usaram a porta do carro para esmagar o braço. Aos parentes, o índio contou que se fingiu de morto e, por isso, foi jogado em um local conhecido como buracão do Zavaglia.

BO

O boletim de ocorrência registrado na 2º DP de São Carlos, ao qual o Estadão Conteúdo teve acesso, não menciona a condição da vítima, nem aponta os possíveis suspeitos do crime.

Mas registra que a vítima alegou ter ido a um bar com um conhecido após o trabalho. Houve uma discussão, na qual um homem alegou que havia sumido R$ 100 do seu carro e culpava o indígena pelo sumiço do dinheiro. O homem deixou o local, mas voltou com outras duas pessoas.

Os três passaram a agredi-lo. Em seguida, os suspeitos o sequestraram o levaram para uma comunidade, onde continuaram com as agressões. Ainda conforme o registro, os agressores então o levaram até a oficina, com a intenção de obter algo de valor como suposto ressarcimento do dinheiro supostamente sumido. Como nada teriam encontrado, agrediram ainda mais o indígena e o abandonaram, ferido, nas imediações de um conjunto habitacional. A vítima pediu socorro e, após passar pela UPA, foi internada no hospital.

Na rede social, os moradores afirmam que o caso será levado ao conhecimento do Ministério Público Estadual.

A vítima, que não teve o nome revelado, teria sido alvo de crime de ódio por sua origem. Ele deixou a terra indígena Uirapuru, na região de Cáceres (MT), há 27 anos, quando se mudou para São Carlos, onde a sua família tem uma pequena oficina.

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