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28 de Maio de 2019, 07h26

Interesse em minerar área fez Vale evacuar de forma premeditada região de Barão de Cocais, dizem moradores

Moradores mostraram documentos de proprietários de terrenos em Barão de Cocais que revelam a "Autorização para Fins de Estudos Espeleológicos e Identificação de Cavidades", permitindo que a Vale faça pesquisas na área privada

Vista aérea da barragem de Barão de Cocais, em Minas (Vale / Google Maps)

Um grupo de moradores de Barão de Cocais, em Minas Gerais, denunciou em reunião na Câmara de vereadores do município, na manhã desta segunda-feira (27), que a Vale teria feito a evacuação premeditada de áreas próximas à Mina de Gongo Soco porque tem interesse em minerar a região.

Presente na reunião, a deputada federal Áurea Carolina (PSol/MG) comentou a denúncia dos moradores no Twitter. “Inadmissível! Recebemos denúncias gravíssimas de moradores de Barão de Cocais, que afirmam que a evacuação da região que será atingida pelo possível rompimento da barragem da Mina de Gongo Soco teria sido feita de forma premeditada pela Vale, devido ao interesse de minerar a área”.

Os moradores mostraram documentos de proprietários de terrenos em Barão de Cocais que revelam uma “Autorização para Fins de Estudos Espeleológicos e Identificação de Cavidades”, permitindo que a Vale faça pesquisas na área privada.

Segundo eles, o que mais chamou a atenção foi verificar que a autorização foi dada ao Setor de Aquisição de Compras de Imóveis da Vale. “Aí eles me deram um documento pedindo a autorização para fazer o exame. Depois vi que se tratava de um documento de setor de aquisição de compras de imóveis da Vale”, declarou Geraldo Magela Ribeiro Leal, 57, que tem um sítio perto da Mina de Gongo Soco, desde 1994.

Evacuação
A Defesa Civil continua monitorando a movimentação do talude norte da mina de Gongo Soco, da mineradora Vale, em Barão de Cocais (MG), a 100 quilômetros de Belo Horizonte. Cerca de 400 pessoas que moram nas comunidades de Socorro, Tabuleiro, Piteira e Vila do Congo, que eventualmente podem ser afetadas, foram retiradas de suas casas.

Segundo o MP, a Vale identificou a existência de uma deformação no talude norte da mina, plano de terreno inclinado que limita uma área para garantir sua estabilidade. Caso ele se rompa, provocará vibrações que poderão comprometer a estrutura da barragem Sul Superior em Gongo Soco, localizada a 1,5 km de distância, e ocasionar a ruptura.

A iminente ameaça ocorre quase cinco meses após a tragédia de Brumadinho, quando outra barragem da mineradora, no Córrego do Feijão, se rompeu e deixou 240 mortos. Outras 30 pessoas ainda estão soterradas.


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