No rastro do óleo do Nordeste
05 de junho de 2019, 13h56

Ipea: Com 65 mil mortes, homicídios batem recorde no país; jovens negros são as maiores vítimas

Relatório Atlas da Violência, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ipea, mostra que mais de 75% das mortes violentas intencionais foram de indivíduos negros, e mais da metade, de jovens entre 15 e 29 anos

Parentes de jovens mortos pela violência policial fazem manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Rio (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Brasil registrou 65.602 mortes violentas intencionais no ano de 2017, segundo o relatório do Atlas da Violência 2019, publicado nesta quarta-feira (5) pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em conjunto com o Fórum Nacional de Segurança Pública. Destas mortes, mais de 75% foram de indivíduos negros, e mais da metade, de jovens entre 15 e 29 anos.

Isso coloca o homicídio como a principal causa de morte entre jovens brasileiros. “Esse número representa uma taxa de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens no país, taxa recorde nos últimos dez anos. Homicídios foram a causa de 51,8% dos óbitos de jovens de 15 a 19 anos; de 49,4% para pessoas de 20 a 24; e de 38,6% das mortes de jovens de 25 a 29 anos”, expõe o relatório.

Um estudo mencionado afirma ainda que as mortes violentas de jovens custaram ao Brasil cerca de 1,5% do PIB nacional em 2010.

Dentro da questão racial, o estudo revela que para cada não negro (branco, indígena ou amarelo, segundo critério de autoatribuição usado pelo IBGE) morto no Brasil, quase 3 negros (pretos e pardos) foram assassinados. Esse cenário vem piorando ao longo da última década; enquanto o índice de homicídios de não negros aumentou 3,3% de 2007 a 2017, o de negros aumentou 33,1%.

Esses índices se refletem na taxa de homicídios por 100 mil habitantes. Enquanto de indivíduos negros foi de 43,1, a de não negros foi de 16. O número é pior em Estados do nordeste, como no caso de Alagoas, que tem a quinta pior taxa de negros mortos por 100 mil habitantes, perdendo apenas para vizinhos como Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará, mas onde um negro tem 18 vezes mais probabilidade de ser morto que um não negro.

“É estarrecedor notar que a terra de Zumbi dos Palmares é um dos locais mais perigosos do país para indivíduos negros, ao mesmo tempo que ostenta o título do estado mais seguro para indivíduos não negros”, diz o relatório, e completa: “Em termos de vulnerabilidade à violência, é como se negros e não negros vivessem em países completamente distintos”.

Como conclusão, os pesquisadores afirmam que “Fica evidente a necessidade de que políticas públicas de segurança e garantia de direitos devam, necessariamente, levar em conta tais diversidades, para que possam promover mais segurança aos grupos mais vulneráveis”.

O Atlas da violência utiliza dados do SIM (Sistema de Informações de Mortalidade), do Ministério da Saúde.

Leia a íntegra do Atlas da Violência


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