#Fórumcast, o podcast da Fórum
23 de setembro de 2019, 19h33

Mapa mostra que Polícia Militar não atua em região de milícias no Rio de Janeiro

Uma análise de dados feita com base no projeto Fogo Cruzado mostra que o poder público não age da mesma maneira em regiões de tráfico e de milícia

Wilson Witzel (Foto: Flickr/ Governo do Rio)

A morte da menina Agatha Félix, de 8 anos, atingida por tiro de fuzil da Polícia Militar no Complexo do Alemão, reacendeu amplos debates sobre a segurança pública no Rio de Janeiro, destacando a promoção de uma verdadeira política de extermínio no estado, atingindo principalmente negros e favelados. Uma análise de dados feita com base no projeto Fogo Cruzado mostra que o poder público não age da mesma maneira em regiões de tráfico e de milícia.

O estudante de Relações Internacionais da PUC-Rio Fabrício Zettel resolveu usar o banco de dados do Fogo Cruzado para elaborar um mapa com os tiroteios envolvendo agentes de segurança do Estado no município do Rio de Janeiro em 2019 e constatou que na região dominada por milícias quase não há ação ostensiva da Polícia Militar, do Exército e de outras forças de segurança.

“O que me impressiona é a visualização prática de que praticamente não existe registros em áreas de milícia. Em áreas de disputa, é possível ver a Cidade de Deus com tiroteios quase diários contra Gardênia Azul sem nenhum registro oficial. Na Zona Oeste controlada pela milícia não há confronto, enquanto que nas áreas de tráfico é guerra total”, avaliou o pesquisador. Cidade de Deus e Gardênia Azul são bairros vizinhos, enquanto a Cidade de Deus é controlada pelo tráfico, Gardênia é uma tradicional região da milícia.

Com base nos dados do aplicativo, foram produzidos dois mapas: um com todos os tiroteios registrados na cidade e outro com as trocas de tiros em que agentes de segurança estiveram presentes. Em ambos é notória a diferença entre as regiões, reforçando um elo entre o poder público e as milícias. O estudante aponta, no entanto, que há um grande crescimento percentual na Zona Oeste quando considerados os tiroteios totais. “Quem atua nesta área então?”, questiona.

Zettel ainda ressalta que a pesquisa deve evoluir para aprimorar a análise e obter mais resultados. O Fogo Cruzado elogiou a percepção do pesquisador e apenas ressaltou que os dados se referem a diversas corporações e não apenas à Polícia Militar, como ele havia se referido anteriormente.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), responsável pela CPI das Milícias realizada em 2008 na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, alerta com frequência que o Rio de Janeiro não tem combatido as milícias como deveria, deixando que elas continuem a manter seu poder territorial. “Milícia é máfia. O que foi feito em relação a tirar o transporte alternativo das milícias? E quanto ao domínio do gás? Quantos fiscais a Agência Nacional de Petróleo (ANP) há hoje no Rio para fiscalizar a venda do gás? Como não tiraram os poderes econômico e territorial desses grupos?”, declarou em entrevista recente ao O Globo.

Confira abaixo e, através do link, os mapas com todas as ocorrências e com as ocorrências ligadas a Forças de Segurança:

 


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum