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13 de julho de 2018, 15h11

ONG gestora da playlist do Metrô não tem sede e funcionário é conselheiro em comissão do governo

Instituto de Cultura e Cidadania (Icult) recebe R$ 39 mil por mês pela gestão musical. Contratação não consta no Diário Oficial e nem no Portal da Transparência do governo paulista

Foto: Ac / Fotos Públicas

Por Rodrigo Gomes, na Rede Brasil Atual

O projeto Metrô+Música, iniciado no último dia 6 com o objetivo de executar canções para os usuários nos trens e estações, tem problemas mais graves que as reações de amor e ódio nas redes sociais. Não há no Diário Oficial do Estado de São Paulo, nem no Portal da Transparência do governo paulista, qualquer edital, licitação ou contrato referente ao projeto. O Instituto de Cultura e Cidadania (Icult) recebe R$ 39 mil para gerir a playlist de 200 músicas, mas não está sediado no endereço fornecido em seu site. Ninguém reconhece a empresa em seus telefones de contato. E um superintendente do instituto é conselheiro da Secretaria de Estado da Cultura desde outubro de 2017.

A RBA solicitou ao Metrô e à Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos que apresentasse o contrato e os valores a serem repassados ao Icult pela gestão da playlist. Segundo o site TecMundo, a ONG estaria recebendo R$ 39 mil por mês pelo serviço. Sem reposta do poder público, a reportagem buscou referências ao instituto no Diário Oficial, no Portal da Transparência e na página de licitações do Metrô. Não há qualquer referência à contratação do Icult ou ao projeto Metrô+Música.

A reportagem então procurou a Icult. Nenhum dos telefones divulgados é da empresa. Um deles é de um condomínio, onde o atendente reclamou ter recebido dezenas de ligações entre ontem e hoje, e o outro de uma residência particular. No endereço divulgado no site do instituto, a RBA encontrou uma empresa de tecnologia e desenvolvimento de aplicativos. A recepção do edifício informou que nunca ouviu falar da empresa.

O superintendente da Icult, Julio Antonio Arelaro, foi designado membro da Comissão de Avaliação da Execução dos Contratos de Gestão das Organizações Sociais da Área da Cultura em outubro de 2017, segundo o Diário Oficial, pelo então secretário José Luiz Penna. A condição de conselheiro foi reafirmada em abril deste ano.

O projeto Metrô+Música utiliza o próprio sistema de som do Metrô e abrange todas as estações e trens desde o dia 10, tocando temas nacionais e internacionais de música clássica, Jazz, Bossa Nova, MPB, Samba.

A companhia não respondeu aos questionamentos da reportagem.


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