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01 de julho de 2020, 06h40

Operador do iFood ameaça entregadores que participarem de greve

Paralisação dos entregadores de aplicativos acontece nesta quarta (1º) em protesto por melhores condições de trabalho

Mochilas de entregadores empilhadas (foto: Roberto Parizotti/CUT)

Um áudio que circula em grupo de entregadores de aplicativo no WhatsApp mostra ameaças aos trabalhadores do iFood que aderirem à greve marcada para esta quarta-feira (1), em protesto por melhores condições de trabalho.

“A gente não se envolve em manifestação. Se você estiver com adesivo [de protesto] na sua bag, por favor, vou estar pedindo para você tirar. Se você não estiver contente trabalhando comigo, no sistema OL, vem aqui, me procura, que eu pego você e jogo na nuvem e você se vira na nuvem”, afirma o homem.

“Nós, entregadores OL, somos diferenciados. A gente é outra qualidade de entregador. O pedido chegou na nossa mão, o pedido tem que chegar na mão do cliente. Entregador OL não se envolve em nenhum tipo de manifestação”, reforça.

O autor do áudio é um operador logístico (OL) do iFood, função terceirizada da empresa que subcontrata entregadores para fazer as corridas. De acordo com reportagem de Carlos Juliano Barros, no UOL, trabalhadores no regime OL têm horários a cumprir e ficam subordinados a um administrador responsável pelo atendimento de uma área restrita. Com isso, garantem mais serviço do que se estivessem na “nuvem”, condição em que o entregador recebe corridas aleatórias e pode aceitá-las ou não.

Além do iFood, empresas como Rappi, Uber Eats, Loggi e James também estão na mira do protesto, que deve acontecer em todos os Estados. O movimento pede que os clientes deixem de fazer pedidos durante o dia em apoio à categoria usando as hashtags #BrequedosApps e #1DiaSemApp.

Ciclistas, motoboys e motoristas que trabalham para empresas como Rappi, Uber Eats e IFood têm se submetido a exaustivas horas de trabalho durante a pandemia do coronavírus, se expondo à infecção, e tendo que arcar com todos os custos para a realização do serviço, sem qualquer tipo de proteção por parte das empresas dos aplicativos que, segundo eles, não oferecem sequer máscaras ou álcool gel.

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