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17 de setembro de 2019, 10h16

Polícia terrorista de Witzel depreda cursinho pré-vestibular comunitário na favela do Jacarezinho, no Rio

"Nosso imóvel estava fechado e eles arrombaram todas as portas, nós temos 4 salas. Reviraram nossas coisas, materiais de oficina e nossas carteiras de aula", conta o advogado Joel Luiz da Costa, coordenador do Núcleo independente e comunitário de aprendizagem (Nica). "É genocídio", ressalta

Sede do Núcleo independente e comunitário de aprendizagem (Nica) depredado por PMs no Jacarezinho (Reprodução)

A ação da polícia terrorista de Wilson Witzel (PSC), que matou ao menos quatro pessoas na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16) deixou um rastro de destruição no presente e depredou um cursinho pré-vestibular comunitário onde 25 jovens da região estudam para construir um futuro mais justo e humano.

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“Isso é um exemplo de como a política de segurança empregada na favela é terrorismo e não apenas combate ao crime. Fechar instituição de ensino é combater o crime?”, diz o advogado Joel Luiz da Costa, coordenador do Núcleo independente e comunitário de aprendizagem (Nica), que funciona desde fevereiro na favela localizada na zona norte do Rio.

Segundo Joel, a ação da PM na comunidade tem se repetido na região de forma ostensiva e colocando a população em pânico. A invasão e a depredação do cursinho se deu na manhã desta segunda-feira.

“Eles entraram na favela as 06 da manhã. Como prática, mesmo que ilegal, invadiram varias residências pela favela. As que têm morador as pessoas abrem as que não tem eles arrombam. Nosso imóvel estava fechado e eles arrombaram todas as portas, nós temos 4 salas. Reviraram nossas coisas, materiais de oficina e nossas carteiras de aula”, conta ele, que suspendeu as aulas, ministrados por 19 professores voluntários.

Joel, que atua como criminalista em causas das comunidades periféricas do Rio, afirma que o ano de 2019, com a ascensão de Witzel ao governo está sendo pesado para as favelas.

“Não quero falar só de Jacarezinho, mas também de Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Maré … todas essas localidades tem sofrido com ações violentas e contínuas do Estado por meio da polícia. Isso gera mortes em números assustadores, estamos à beira de ter a polícia do Rio como responsável por 50% das mortes violentas do estado. Em 2018 a polícia do Rio matou 25% do que matou toda a polícia do Brasil, em um território que compreende 8% da população nacional! E 70% das mortes são de pessoas pretas e pardas. São mortes em território de periferia e vulnerabilidade social e financeira. É genocídio”, afirma o advogado.


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