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17 de fevereiro de 2020, 18h32

Governadores criticam Bolsonaro sobre morte de Adriano da Nobrega

Os políticos elaboraram uma carta "em defesa do pacto federativo" sobre declarações do presidente feitas no último final de semana

Adriano da Nóbrega, miliciano ligado a Flávio Bolsonaro morto pela polícia (Arquivo)

Vinte governadores elaboraram uma carta “em defesa do pacto federativo” criticando declarações feitas no último final de semana por Bolsonaro sobre a morte do miliciano Adriano da Nóbrega, que aconteceu na Bahia. 

Divulgada nesta segunda (17), a nota cita recentes falas de Bolsonaro “confrontando os governadores” e “se antecipando a investigações policiais para atribuir graves fatos à conduta das polícias e seus governadores”. 

A iniciativa da nota partiu de Witzel (RJ) e foi endossada por Dória (SP). Os dois são adversários políticos do presidente. Em seguida, outros governadores também endossaram a proposta. 

A carta, divulgada pelo Fórum dos Governadores, começou a ser escrita no final de semana, após o presidente ter acusado a “PM da Bahia do PT” de uma “provável execução” de Adriano, miliciano morto em operação policial dia 9 deste mês.

O pBolsonaro ainda insinuou que pode ter havido queima de arquivo pela polícia da Bahia, o que foi rebatido pelo governador do estado, Rui Costa (PT). 

Homenageado duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio pelo hoje senador Flávio Bolsonaro, Adriano é citado na investigação sobre a prática de rachadinha no gabinete do então deputado estadual. A mãe e a ex-mulher do miliciano trabalhavam no gabinete de Flávio.

A carta também cita declarações de Bolsonaro acerca da reforma tributária. Segundo eles, o presidente se referiu à reforma, “sem expressamente abordar o tema, mas apenas desafiando governadores a reduzir impostos vitais para a sobrevivência dos estados”. 

Eles consideram que a conduta não contribui “para a evolução da democracia no Brasil”. 

“É preciso observar os limites institucionais com a responsabilidade que nossos mandatos exigem. Equilibro, sensatez e diálogo para entendimentos na pauta de interesse do povo é o que a sociedade espera de nós”, dizem os governadores no texto. 

“Trabalhando unidos conseguiremos contribuir para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, pela redução da desigualdade social e a busca pela prosperidade econômica. Juntos podemos atuar pelo bem do Brasil e dos brasileiros”, continua a carta. 

A carta se encerra com um convite para que Bolsonaro a participe de um encontro do fórum em 14 de abril. 

Assinam a nota os governadores de vinte estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Maranhão, Acre, Amapá, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Amazonas. 

Não assinaram a carta os governadores Carlos Moisés (PSL-SC), Marcos Rocha (PSL-RO), Antonio Denarium (PSL-RR), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Mauro Mendes (DEM-MT), Mauro Carlesse (DEM-TO) e Ratinho Júnior (PSD-PR). 


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