O que o brasileiro pensa?
07 de julho de 2020, 18h13

Bolívia sofre colapso sanitário e funerário, e já vê cenas de cadáveres empilhados nas ruas

Parentes de uma das vítimas em Cochabamba chegaram a fazer um protesto com barricadas para exigir sepulturas para o falecido, após seis dias esperando por uma solução para o caso

Protesto na Bolívia por falta de sepultura para vítimas do coronavírus (foto: Página Siete)

Apesar de ter sido esquecida pela maioria dos noticiários internacionais brasileiros após o golpe de Estado de novembro de 2019, a Bolívia continua existindo, e seu governo já não é a suposta ditadura que os meios hegemônicos afirmavam, e sim uma ditadura real, imposta pelas Forças Armadas e com suas consequências potenciadas pelo contexto de pandemia.

Um exemplo dessas consequências foi o protesto protagonizado pelos parentes de Roli Pinto Centeno, no último sábado (4), na cidade de Cochabamba. Roli morreu de covid-19 no dia 28 de junho, porém, com o colapso do sistema de saúde e também do sistema funerário, seu corpo não tem lugar nem nos necrotérios nem nos cemitérios da cidade, razão pela qual o hospital entregou o corpo a família, que o mantém em casa desde então.

Após seis dias esperando uma solução para o caso, os parentes de Roli resolveram iniciar uma manifestação, com barricadas na rua, onde muitas outras pessoas também protestam, algumas com o corpo do parente morto jogado na calçada, ou em um pequeno altar improvisado.

“Estamos muito indignados, muito assustados. O corpo está em decomposição e só o que pedimos um enterro cristão”, disse um sobrinho da vítima, em entrevista ao jornal Página Siete.

Segundo Juan Carlos Orellana, presidente da Associação Funerária de Cochabamba, atualmente existem cerca de 30 cadáveres esperando por um espaço no cemitério local, a maioria deles em casas de parentes, que sofrem com a situação.

Além do risco à saúde envolvido em ter um corpo em decomposição em uma casa, as famílias que enfrentam esse problema são atacadas por vizinhos, que exigem a remoção dos corpos por medo da propagação do vírus.


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