O que o brasileiro pensa?
29 de junho de 2020, 06h32

Com quase 58 mil mortes, Bolsonaro só gastou 29,3% de recursos para combater coronavírus

Dados do governo mostram que Ministério da Saúde usou apenas R$ 11,5 bi dos R$ 39,3 bi liberados para uso na pandemia da Covid-19. Especialista diz que interferência de Bolsonaro e troca de ministros são parte considerável do problema

O general Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde, e Jair Bolsonaro (Foto: Montagem)

Painel do Orçamento Federal, elaborado com base nos dados mais recentes do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), de 22 de junho, revela que Jair Bolsonaro só gastou 29,3% – R$ 11,5 bi – dos R$ 39,3 bilhões liberados pelo governo para o Ministério da Saúde desenvolver políticas de combate ao coronavírus.

Neste domingo (28), o Brasil registou mais 552 mortes por Covid-19 e 30.476 novos casos, segundo dados do próprio governo. O país soma agora 57.622 óbitos e 1.344.143 pessoas infectadas, desde o início da pandemia.

Segundo reportagem de José Fucs, na edição desta segunda-feira (29) do jornal O Estado de S.Paulo, outros R$ 2,1 bilhões (5,3%) estão comprometidos com o pagamento de contas, mas ainda não saíram do caixa.

De acordo com o economista Felipe Salto, diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, que foi ouvido pelo jornal, uma parte considerável do problema se deve, em sua avaliação, à interferência do presidente Jair Bolsonaro na pasta, às divergências sobre o que fazer e à falta de continuidade administrativa, em decorrência da troca constante de ministro.

“Você precisa de um ministro da Saúde de peso, que tenha capacidade administrativa para fazer as coisas funcionarem. Se isso já vale nos períodos normais, imagine numa crise como essa. Agora se você fica trocando de ministro como quem troca de roupa e não tem uma referência clara no comando, fica difícil. O Pazuello pode ter as qualidades dele, mas não tem retrospecto nisso aí”, afirmou em relação ao general Eduardo Pazuello, ministro interino que está no cargo desde 15 de maio, quando Nelson Teich pediu demissão.


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