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26 de junho de 2020, 12h35

Coronavírus: Hospital Albert Einstein proíbe prescrição de cloroquina pelo seu corpo médico

Laboratório do Exército tem estoque de cloroquina para 18 anos. MP investiga responsabilidade de Bolsonaro

Imagem: Reprodução

O Hospital Albert Einstein proibiu, através de comunicado enviado ao seu corpo médico, nesta quinta-feira (25), a prescrição de cloroquina para tratamento da Covid-19.

O hospital informou ainda que nunca teve protocolo para uso do medicamento, mas que os médicos acabavam receitando o composto em modo off label, quando o medicamento é usado fora do que é indicado na bula.

O hospital afirma que a prescrição do medicamento podia acontecer na relação paciente e médico. Isso, agora, não poderá mais ser feito pelo corpo médico do Einstein.

Uso off label

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso off label de um medicamento é quando ele é prescrito para tratar outra indicação que não está prevista na bula.

“O uso off label de um medicamento é feito por conta e risco do médico que o prescreve, e pode eventualmente vir a caracterizar um erro médico, mas em grande parte das vezes trata-se de uso essencialmente correto, apenas ainda não aprovado.”

A Anvisa diz ainda que “há casos mesmo em que esta indicação nunca será aprovada por uma agência reguladora, como em doenças raras cujo tratamento medicamentoso só é respaldado por séries de casos. Tais indicações possivelmente nunca constarão da bula do medicamento porque jamais serão estudadas por ensaios clínicos.”

Laboratório do Exército tem estoque para 18 anos

De acordo com informação do ministério da Defesa, o estoque do Laboratório do Exército conta com 1,8 milhão de comprimidos de cloroquina em estoque.

O valor é cerca de 18 vezes a produção anual do medicamento nos anos anteriores. Sem eficácia comprovada contra o coronavírus, a cloroquina é usada para combater a malária.

O Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu uma investigação do gasto de R$ 1,5 milhão pelo Ministério da Defesa para ampliar a produção do medicamento.

Foi pedida, inclusive, pelo subprocurador-geral, Lucas Furtado, a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ) na determinação de que aumentasse a produção do medicamento, sem que houvesse evidências científicas comprovando sua eficácia no tratamento da Covid-19.

Risco de arritmia cardíaca

Pesquisa científica publicada na revista “The Lancet” com 96 mil pacientes aponta que a hidroxicloroquina e a cloroquina não apresentam benefícios no tratamento da Covid-19. Os resultados divulgados mostram que também não há melhora na recuperação dos infectados, mas existe um risco maior de morte e piora cardíaca durante a hospitalização pelo Sars CoV-2.

Com informações do G1


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