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14 de julho de 2020, 18h44

Coronavírus: Pesquisador da Fiocruz aponta que “má gestão” da crise fez mortes aumentarem

As propriedades quase milagrosas atribuídas à cloroquina e a narrativa da preservação da economia mostrou-se ineficaz e pode seguir causando milhares de mortes", afirmou o epidemiologista Jesem Orellana

Covas coletivas em Manaus, Amazonas, na pandemia do coronavírus (Foto: Reprodução)

O epidemiologista Jesem Orellana, autor de estudo que monitora as mortes “em excesso” ocorridas em 2020, criticou indiretamente o governo do presidente Jair Bolsonaro ao comentar sobre os resultados da pesquisa.

“O escandaloso número de mortes excedentes não foi obra do acaso, mas da má gestão da epidemia. Elas poderiam ter sido evitadas. As propriedades quase milagrosas atribuídas à cloroquina e a narrativa da preservação da economia mostrou-se ineficaz e pode seguir causando milhares de mortes”, afirmou Orellana à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

O trabalho contabilizou os 74.406 óbitos ocorridos em São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Manaus e apontou um incremento de 22.273 mortes nestas capitais entre fevereiro e junho de 2020 com relação a uma projeção feita com dados do mesmo período dos cinco anos anteriores – 52.133. Destes, apenas 14.918 foram diagnosticados como Covid-19.

“Mas todos os óbitos excedentes devem ser integralmente atribuídos ao agente estressor: a crise do coronavírus”, declarou.

De acordo com dados oficiais, o Brasil registra 72.833 mortes provocadas pelo Sars-CoV-2 e são 1.884.967 os casos confirmados de infecção pelo vírus.

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