Diante de subnotificação, UERJ participa de estudo para mapear o número real de casos de coronavírus

A estimativa é que haja mais de 2,7 milhões de casos de infecção no país, sendo 288 mil só no Rio de Janeiro

Levantamentos e projeções feitos pela UERJ e outras instituições brasileiras mostram que o número de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil pode ser 16 vezes maior que o registro oficial.

O estudo aponta para uma grande subnotificação de casos. A estimativa é que haja mais de 2,7 milhões de casos de infecção no país, sendo 288 mil só no Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde contabilizava 203.165 casos confirmados da doença no país, cerca de 19 mil no estado. do Rio. Para o pesquisador Fernando Sanches, do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalhador (Dessaude) da Uerj, a incerteza sobre o total de pessoas infectadas e a taxa de mortalidade pela Covid-19, se deve à baixa testagem da população. Há também outras variáveis capazes de promover os cenários: “Temos outros fatores, como a presença de vulnerabilidades, condições socioeconômicas, acesso aos serviços de saúde, nível de educação da população, o entendimento sobre as medidas e estratégias de mitigação, supressão de novos casos ou de agravamento”, disse ele.

Com relação ao Rio de Janeiro, os dados atuais revelam 19.467 casos confirmados por Covid-19 no estado, sendo 11.264 dentro da capital. Segundo Sanches, a projeção para os próximos dez dias é que o número chegue a 55 mil. Os óbitos que hoje contabilizam em 2,2 mil podem chegar 7,2 mil em 21 de maio. “Principalmente se não houver capacidade de resposta aos casos de severidade e que necessitem de leitos de CTI”, adverte o pesquisador.

Assim, o lockdown pode ser uma importante estratégia para conter a doença. “É uma corrida contra o tempo, com sobreposições de diferentes dimensões analíticas para um problema cuja complexidade se perpetua, em um dilema diário do processo saúde-doença, viver-morrer, produção, economia, sustentabilidade”, diz Sanches.


Para ele, a ciência tem o papel de informar e orientar sobre as melhores medidas a serem adotadas, como a fabricação da vacina contra o Sars-CoV-2 (o novo coronavírus), possibilitando a imunização em massa. “Não podemos ficar indiferentes e assistir pessoas morrerem, sem que haja orientação adequada e as ferramentas necessárias para o auxílio no processo de tomada de decisão baseada em evidências”, conclui.

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Clara Averbuck

Escritora e jornalista, autora de 9 livros.

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