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24 de março de 2020, 20h49

Em pronunciamento nacional, Bolsonaro ataca imprensa e volta a chamar coronavírus de gripezinha

Ignorando alertas da OMS e evidências científicas, o presidente ainda defendeu o fim do isolamento social

Reprodução/YouTube

O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em cadeia nacional nesta terça-feira (24) minimizando o surto do novo coronavírus, atacando os meios de comunicação e governadores e repetindo que há uma “histeria” em torno de uma “gripezinha”.

Bolsonaro disse que começou a enfrentar o novo coronavírus desde a chegada dos brasileiros que estavam quarentenados em Wuhan. Segundo o ex-capitão, ele e o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, lutaram “quase contra tudo e contra todos”.

Para Bolsonaro, os meios de comunicação “espalharam a sensação de pavor” no Brasil e promoveram o que ele chamou de “histeria” no país. O presidente mais uma vez minimizou a doença que já matou mais de 16 mil pessoas nos últimos três meses. Segundo ele, a realidade que afeta a Itália não será a mesma no Brasil por conta do clima – o que não é comprovado cientificamente.

Indiretamente, ele atacou o Jornal Nacional – ao citar um pedido de “calma” feito pelos âncoras do telejornal – e a TV Globo, usando o médico Dráuzio Varella, que em janeiro havia apontado que o cenário no Brasil seria outro em razão de pesquisas que circulavam naquela época.

O presidente mais uma vez mostrou-se mais preocupado com a economia do que com o contágio da doença e defendeu que se voltasse à normalidade do país. “Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. Devemos sim voltar à normalidade. Algumas autoridades devem abandonar medidas de isolamento”, afirmou, atacando governadores e negando orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O que se passa no mundo mostra que o grupo de risco são as pessoas maiores de 60 anos. Não tem por que fechar escolas”, disse ainda o ex-capitão. Segundo a OMS, crianças já morreram em razão do novo coronavírus.

No pronunciamento, que durou cerca de 4 minutos, Bolsonaro ainda voltou a citar a cloroquina como uma possível cura da doença, exaltando o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “Acredito em Deus que irá capacitar médicos e pesquisadores”, disse ainda.

Trump

O pronunciamento do presidente brasileiro seguiu na mesma linha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendeu em entrevista nesta quarta-feira (24) que o país volte ao normal. Segundo a OMS, os EUA devem ser o novo epicentro da pandemia do novo coronavírus. O país já registra mais de 50 mil casos e 703 mortes.

Casos no Brasil

O Ministério da Saúde divulgou 310 novos casos de coronavírus no Brasil nesta quarta-feira, totalizando 2.201 pacientes infectados e 46 mortos. O índice de casos por 24h é menor do que os registrados nos dois últimos dias.

O “freio”, que “achata” a curva de infectados, pode ter acontecido por dois motivos: a restrição na circulação de pessoas por parte dos governos estaduais – criticada por Bolsonaro – ou a desaceleração no número de pessoas testadas em razão da limitação no número de exames.

Panelaço

O pronunciamento também rendeu mais um grande panelaço contra o mandatário. Pessoas de diversas cidades foram às janelas para manifestar rechaço ao ex-capitão.

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