Miranda chama Dias de criminoso: “Quando estiver na carceragem, vou levar cigarro”

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde disse que o deputado o envolveu em denúncia de suposta propina como retaliação por ter negado a concessão de um cargo a Luis Ricardo MIranda, irmão do parlamentar

As contradições envolvendo os depoimentos do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, à CPI do Genocídio, ganharam mais um ingrediente, de acordo com reportagem de Caio Barbieri e Victor Fuzeira, no Metrópoles.

O parlamentar rebateu, nesta quarta-feira (7), a acusação feita por Dias, de que os irmãos Miranda (o deputado e o ex-servidor do ministério, Luis Ricardo Miranda) teriam denunciado que ele teria pedido propina durante o processo de compra da vacina Covaxin contra a Covid-19, como retaliação por ter negado a concessão de um cargo a Luis Ricardo.

Em entrevista ao Metrópoles, Miranda disse: “Olhe bem qual é o único pedido que eu fiz para este criminoso. O único pedido que eu fiz foi para salvar vidas aqui em Brasília, para que na distribuição dos respiradores, Brasília recebesse logo que começou. Você observa que a minha preocupação com a pandemia foi logo no começo de que fosse enviado para o Distrito Federal 500 unidades de respirador. Respiradores esses que foram recebidos”, afirmou o parlamentar.

“É o famoso comentário que segue a mesma estratégia de todos: desconstruir a testemunha, né? Fazer ter uma dúvida para que a base bolsonarista faça o recortezinho, e essa vai ser a manchete do dia. E todo dia eles tentam aí desconstruir e não falam do fato. A empresa terceira não interessa, o fato de essa empresa estar em paraíso fiscal não interessa a eles, de ela não estar no contrato, também não interessa a eles (…). Isso não interessa à base. Então, é criar narrativa, né?”, afirmou.

“Denúncias de roubos”

“Como que o meu irmão, que é chefe do setor desde 2016, poderia querer outro cargo? Será que ele pediu o de ministro? O que eu me recordo era que o meu irmão queria sair desse departamento pela quantidade de denúncias de roubos, para não chamar de corrupção, que esse departamento tem, o Delog [Departamento de Logística]. Isso eu me recordo, mas não por vantagem, pelo contrário: estava disposto a perder o cargo de chefia para ir a qualquer outro setor e que se livrasse de pessoas como Roberto Dias”, acrescentou Miranda.

“Estou falando em on para ficar bem claro. Esse cara, se colar nele, nós vamos descobrir vários crimes. Enquanto ele fala de mim, fale para ele que quando estiver no processo de regeneração, na carceragem, eu farei a gentileza de levar para ele o maço de cigarro”, disse.

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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