Para Apeoesp, decreto de Doria que torna educação básica atividade essencial é “escárnio”

Ao classificar a educação básica como atividade essencial, governo pretende retomar as aulas presenciais em pleno agravamento da pandemia

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) condenou veementemente o decreto publicado pelo governador João Doria (PSDB), neste sábado (24), que classifica a educação básica como atividade essencial. Com isso, estará liberada a partir de 11 de abril a retomada das aulas presenciais da rede pública e instituições privadas de ensino.

A presidenta da Apeoesp e deputada estadual, Professora Bebel (PT), declarou que o decreto “é um escárnio para todos aqueles que adoeceram e morreram em virtude da Covid-19 nas escolas públicas estaduais paulistas”.

De acordo com levantamento da Apeoesp, já são mais de 2.300 casos de contaminação e 55 mortes entre pessoas que trabalharam presencialmente em escolas estaduais paulistas este ano.

Para Bebel, o secretário da Educação está cedendo ao lobby das escolas privadas pela volta das aulas presenciais e, para isso, “engana a população”, garantindo que as escolas sejam ambientes seguros.

Em agosto de 2020, pesquisa encomendada pela Apeoesp ao Instituto de Arquitetos do Brasil e Dieese, que resultou no Manual Técnico para Escolas Saudáveis, revelou que 82% das escolas não têm mais de dois sanitários para uso dos estudantes, além da falta enfermarias, quadras e ambientes ventilados.

“Crueldade e oportunismo”

“A atitude do governo é uma expressão da crueldade e do oportunismo de quem não valoriza a vida. Nenhuma, absolutamente nenhuma linha em consideração ou deferência àqueles que pereceram. Qualquer semelhança com a postura de Jair Bolsonaro não é mera coincidência: ambos cultivam a mesma admiração e interlocução com próceres da mentira, ambos são craques da indiferença”, afirma Bebel.

A presidenta da Apeoesp conclui lembrando que, apesar do decreto “oportunista, com o indisfarçável objetivo de dar continuidade às aulas presenciais em pleno agravamento da pandemia”, há uma sentença, em vigor desde 9 de março, proibindo a volta às aulas presenciais, em ação movida pela Apeoesp e por outras entidades ligadas à educação.

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Lucas Vasques

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