PT apresenta emenda contra compra de vacinas da Covid-19 por clínicas particulares

"É a institucionalização do camarote da vacina", afirma Alexandre Padilha. Proposta do partido é liberar a compra apenas depois da conclusão das metas do plano de imunização

A liderança do PT na Câmara dos Deputados apresentou uma emenda à “MP das vacinas” em tentativa de barrar a compra do imunizante por empresas do setor privado. O texto propõe que a aquisição seja liberada apenas depois da conclusão das metas do plano nacional de imunização.

Um dos artigos da MP 1026, que começa a ser votada nesta terça-feira (23) na Câmara, autoriza a iniciativa privada a “comprar, distribuir e administrar exclusivamente as vacinas que tenham registro sanitário definitivo para uso concedidos pela Anvisa, de qualquer país de origem, inclusive produzidas no Brasil, para imunizar cidadãos em território nacional”.

A emenda apresentada pelo PT sugere que a compra deve ser autorizada apenas “em momento posterior ao total cumprimento por parte do Sistema Único de Saúde da meta de imunização estabelecida no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19”.

Além disso, também estabelece que, antes disso, a iniciativa privada poderá fazer a aquisição de vacinas aprovadas em caráter emergencial pela Anvisa apenas para doação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), o artigo atual da MP propõe a criação de um “camarote VIP de vacinas”, onde pessoas que têm condições financeiras passariam na frente dos demais.

“Dentro de uma MP que busca garantir recursos e mecanismos mais ágeis para levarmos vacinas para todos, enfiaram um texto que garante um camarote VIP de vacinas para poucos”, disse o deputado, em entrevista à Fórum.

“O que é esse texto quer criar é vacina para quem pode comprar, passando na frente de um conjunto da população brasileira. Se esse texto for aprovado, um idoso de 70 anos que puder comprar a vacina, vai se vacinar antes de um idoso de 70 anos que não puder comprar essa vacina”, completou.

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Luisa Fragão

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