Reabertura do comércio em SP pode aumentar mortes em 71%, alertam pesquisadores

Grupo ligado à USP e FGV considera "prematura" a flexibilização anunciada por Doria. Mortes podem chegar a quase 25 mil no começo de julho

Projeções realizadas por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima que o estado de São Paulo poderá ter um aumento de 71% no número de mortes por conta das medidas de flexibilização do isolamento social.

Segundo cálculos do grupo, o relaxamento da quarentena e a reabertura do comércio poderá causar mais 10.300 mortes além das 5.500 previstas até a primeira semana de julho.

Neste cenário, o total de mortes no estado seria 24.900, de acordo com os pesquisadores. Trata-se, portanto, de uma diferença de 71% sobre os 14.600 óbitos previstos sem a reabertura.

O governador do estado, João Doria (PSDB), anunciou seu plano para saída da quarentena já no final de maio, permitindo a reabertura gradual de lojas e shoppings. De acordo com o tucano, as medidas de distanciamento adotadas no começo da pandemia já haviam contido o avanço da doença, o que permitiria a retomada de atividades.

Para os pesquisadores, no entanto, a decisão foi prematura. “É muito arriscado flexibilizar a quarentena com tantas incertezas”, diz a cientista política Lorena Barberia, professora da USP e coordenadora do grupo, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

São Paulo já tem 178.202 mil casos confirmados da doença, de acordo com o Ministério da Saúde. Ao todo, 10.694 pessoas morreram.

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Luisa Fragão

Jornalista.