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13 de junho de 2019, 18h52

Capa de revista francesa sobre a Copa do Mundo Feminina divide internautas

Capa polêmica Charlie Hebdo foi chamada de grosseira, machista e nojenta, enquanto defensores da publicação apontam direito de expressão

Capa da edição de 12 de junho de 2019 da Charlie Hebdo satirizando a Copa do Mundo feminina de futebol

A revista de humor francesa Charlie Hebdo traz na capa de sua edição desta quarta-feira (12) a Copa do Mundo Feminina de futebol, que é realizada este mês na França. A imagem em página cheia de uma vagina com uma bola de futebol faz alusão ao quadro “A origem do mundo”, de Gustave Courbet, enquanto o texto “vamos comer durante um mês!” despertou reações divididas nos internautas.

Nas últimas 24 horas, foram mais de 3.500 comentários sobre a revista no Twitter, a maioria realizados na França. Muitas pessoas criticaram a publicação, a que chamaram de machista, misógina, escandalosa e nojents, solicitando que a revista peça desculpas.

“#CharlieHebdo, vocês desrespeitaram jogadoras de futebol do mundo todo e as objetificaram sexualmente da maneira mais desagradável. Isso é ultrajante e repugnante. Eu exijo que @Charlie_Hebdo_ retire esta capa e peça desculpas imediatamente!” reclamou uma internauta do Sri Lanka.

“A sátira do #CharlieHebdo é somente grosseira. Não faz rir, nem pensa, é de uma vulgaridade absoluta e miserável: reflete completamente os estereótipos de um mundo no qual colocar problemas, aprofundar ou simplesmente escutar são tabus”, reclamou outra internauta italiana.

A revista francesa Marianne, de linha editorial inclinada à esquerda, defendeu a Charlie Hebdo. “Marianne ainda apoia Charlie”, diz a publicação.

Já outras pessoas, incluindo mulheres, defenderam a liberdade de expressão e de imprensa para que a revista possa publicar qualquer conteúdo. Com eles, o slogan “Je suis Charlie” voltou a ser usado.

A frase se tornou popular no mundo todo depois do atentado sofrido na redação da revista em janeiro de 2015. Na ocasião, 12 pessoas foram mortas e 11 ficaram feridas quando dois irmãos muçulmanos, Saïd e Chérif Kouachi, entraram no escritório e abriram fogo contra os jornalistas e cartunistas com fuzis AK-47. O massacre seria uma reação a uma capa da Charlie Hebdo que satirizava o profeta Maomé.

Na época dos ataques, a revista foi defendida por grupos que ressaltavam seu caráter satírico. Internautas hoje reclamam que as mesmas pessoas que no passado defenderam a liberdade para satirizar religiões, hoje estariam condenando o a capa.

Sátira de terremoto

Algumas das críticas mais inflalamdas contra a revista, no entanto, não vieram da França, mas da vizinha Itália.

Em agosto de 2016 um terremoto na região central da Itália causou a morte de quase 300 pessoas, deixou 388 feridos e mais de 4.500 pessoas sem suas casas. Dias depois da tragédia, a revista publicou um cartum relacionando vítimas a pratos típicos italianos.

Um homem ferido e enfaixado seria um penne com molho de tomate; uma mulher com ferimentos e queimaduras no rosto, penne gratinado; já um edifício desabado com várias vítimas dentro é chamado de lasanha.

A cidade de Amatrice, uma das mais atingidas pelo tremor, processou a revista na época.

Sátira da Charlie Hebdo sobre terremoto na Itália

 


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