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09 de dezembro de 2019, 17h40

Em sua cruzada contra o cinema nacional, Ancine veta exibição de filme brasileiro inscrito no Oscar

"A vida invisível", estrelado por Fernanda Montenegro, seria exibido para servidores como parte de um processo de capacitação que ocorre todo mês, mas agência, depois de retirar de sua sede e site pôsteres de filmes brasileiros, proibiu a exibição da obra

Divulgação

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) cancelou uma exibição do filme “A Vida Invisível”, do diretor Karim Aïnouz, prevista para a próxima quarta-feira (12). A atividade seria parte de um programa de capacitação de servidores e contaria também com um debate.

Com a desculpa que o projetor da sala de exibição estaria quebrado, a Secretaria de Gestão Interna, chefiada por Cesar Brasil Gomes Dias, interveio no evento e cancelou a atividade. O funcionário responsável pela manutenção negou a existência de qualquer problema técnico ao ser questionado por servidores.

Segundo Edoardo Ghirotto, da Veja, o filme seria exibido como parte do processo de capacitação dos servidores. Mensalmente, um filme nacional é escolhido e os funcionários assistem e debatem. Produtores da película também seriam convidados.

“A Vida Invisível” é a produção brasileira inscrita para a disputa do Oscar de 2020 na categoria de melhor filme estrangeiro. Um dos motivos para a retaliação pode ser a participação da atriz Fernanda Montenegro, hostilizada pelo atual secretário de Cultura, Roberto Alvim.

Pôsteres censurados 

Na última semana, a Ancine retirou quadros dos filmes brasileiros em cartaz, que estavam desde 2002 expostos nos corredores e nas salas da agência, localizada no centro do Rio de Janeiro.

Os filmes também foram retirados de uma aba fixa do site oficial que mostrava os cartazes das novas produções brasileiras.

A decisão gerou suspeitas de retaliação a cineastas que têm assumido posições contrárias ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele por sua vez, afirmou há alguns meses, em transmissão pelo Facebook, que pretende transferir a Ancine para Brasília, para conseguir um controle maior sobre o órgão. Sua declaração provocou a formação de um grupo e a criação de um abaixo-assinado para impedir a mudança.

 


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