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13 de fevereiro de 2019, 13h34

Flaira dispara o seu frevo/rock em “Revólver”: “O frevo é a luta armada”

A multiartista pernambucana lança o clipe de “Revólver”, uma eletrizante sequência onde 15 passistas de frevo dançam entre carros, ônibus, marquises e pedestres no centro do Recife

Foto: Luiz Maximiano/Divulgação

A cantora, compositora, bailarina e multiartista Flaira Ferro, após causar furor com “Coisa mais Bonita”, no ano passado, acaba de lançar, nesta terça-feira (12), o clipe de “Revólver”, a sua nova canção.

Clipe totalmente gravado no Recife, sobretudo no bairro de Santo Antônio, no Centro da cidade, Flaira, que é uma exímia dançarina de frevo, espalha pelas ruas Nova, do Sol, as avenidas Conde da Boa Vista, Dantas Barreto e Guararapes e a praça da Independência, em imagens vertiginosas, 15 passistas de frevo, que dançam entre carros, ônibus, marquises e pedestres.

A canção, um frevo-rock, resgata de priscas eras para a “Veneza americana” a palavra com vários sentidos. Desde de a arma, simplesmente, até revolver de voltar(-se) para trás, para os lados etc.; revirar(-se), retorcer(-se). Uma brincadeira que vem desde o famoso álbum do Beatles, de 1966, até o enigmático e experimental de Walter Franco, de 1975.

No caso dela, no entanto, o sentido da palavra se resume a todos ao mesmo tempo. Desde os movimentos ancestrais da dança que foi reconhecido, em 2012, pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade, até a arma de luta: “o meu revólver é um estado de espírito e o pessimismo é luxo de quem tem dinheiro”.

Logo mais adiante, a canção é ainda mais explícita: “O frevo é um ser humano/O frevo é o nosso Rock/O frevo é a luta armada de Zenaide, de Capiba e de Spok”.

Poucas manifestações desde Chico Science tiveram ou têm tanto impacto para o Recife quanto a música, dança, clipe, enfim, a multiarte de Flaira. A força aparentemente bruta da canção e suas consequentes performances tem um eixo que permanece refinado, feito da mais alta cultura popular.

O Recife explosivo, em estado de revolução permanente, onde seu povo larga imediatamente tudo que faz ao passar o frevo, está todo ali, no clipe e na canção de Flaira que, ao mesmo tempo, insulta e comove. “Uma cidade triste é fácil de ser corrompida”, rebate.

Apesar de ter, até agora, uma curta trajetória na música, na dança Flaira já vem de longe. Foi aluna de Nascimento do Passo, escola que é responsável pelo primeiro método para ensinar frevo no mundo. A partir disso, ela ganhou bolsa para estudar balé, venceu diversos prêmios e excursionou por vários países, como Alemanha, França, Suíça, Inglaterra, Portugal, Itália, Argentina, Peru, China, Índia e os Estados Unidos.

Sua carreira na canção pode e deve ser revisitada desde o seu primeiro e único álbum até agora, o poderoso “Cordões Umbilicais”, de 2016. Nele, está a já citada canção “Coisa mais Bonita”, cujo clipe (veja acima) chegou a ser retirado do YouTube por mostrar várias mulheres se masturbando. Graças a ação de fãs, o clipe voltou à plataforma com restrição de idade.

Vale, e muito, ouvir o álbum de ponta a ponta enquanto se aguarda o lançamento de seu próximo, que deve sair em julho.

“Revólver” é só o primeiro tiro.


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