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23 de agosto de 2018, 16h27

Gilberto Gil encanta com canções sobre velhice, política, família e médicos

“Ok, Ok, Ok” foi produzido por seu filho Bem Gil, que optou por gravar o compositor só com o seu violão ao vivo no estúdio, para depois preencher com outros instrumentos

Capa do álbum "Ok Ok Ok". Foto: Divulgação

Gilberto Gil celebra em seu novo álbum, “Ok, Ok, Ok”, a família, a velhice e até mesmo os médicos que cuidaram dele no período em que esteve doente. Com uma linguagem muito mais prosaica do que a habitual, o cantor e compositor baiano nos encanta mais uma vez com a sua delicadeza e sinceridade.

Com um jeito de coisa doméstica, Gil conversa em suas composições com familiares, faz digressões e reflexões a respeito de sua participação política – ele que conseguiu ficar 6 anos no cargo de ministro da Cultura sem se intoxicar pela disputa – e age de forma despojada, com a desfaçatez de reproduzir em público, e com o imenso talento de sempre, tatibitates que vovôs dispensam aos netos.

“Ok, Ok, Ok” foi produzido por seu filho Bem Gil, que optou por gravar o compositor só com o seu violão ao vivo no estúdio, para depois preencher com outros instrumentos. O resultado é puro Gil, tocando tranquilamente vários ritmos que domina com destreza e reinventando outros.

A sua voz, liberta dos falsetes e respostas sonoras de outros tempos, parece bem mais sóbria sem perder o suingue e a afinação. O álbum é o primeiro com canções inéditas desde “Fé na Festa”, de 2010. A maioria das composições são feitas inteiramente por Gil, com exceções de “Sereno”, com Bem Gil; “Uma coisa Bonitinha”, com João Donato e “Afogamento”, com o jornalista Jorge Bastos Moreno.

O álbum conta ainda com algumas participações especiais notáveis. Na canção “Yamandu”, uma linda homenagem ao violinista gaúcho, o próprio chegou pra tocar o seu ‘violão ligeiro’. Aparentemente um samba instrumental composto para o violão, instrumento que Gil, guardando as devidas proporções de não ser um solista, também toca muito bem. O tema é todo apresentado pelos dois em dueto, até que Gil entra com a divertida letra:

“Bem que eu vi o Yamandu
Com seu violão ligeiro
Parece que é pressa
Mas é só suíngue à beça
E bossa e vibração no corpo inteiro”

Outro lindo momento é a canção “Afogamento”, onde a lírica letra de Moreno ganha rica melodia, interpretada por Gil e Roberta Sá. “Tartaruguê” conta com o piano de João Donato e lembra o GGil dançante de outros tempos.

João Donato ainda comparece na sua parceria “Uma coisa Bonitinha”, tocando e fazendo o contracanto com Gil.

Gil ainda faz uma nova versão para a sua “Pela Internet”, primeira canção brasileira transmitida on line. Desta vez, Gil reatualiza os termos da web, ele entusiasta e precursor das novas tecnologias. A sua “Pela Internet 2”:

“Meu novo website
Minha nova fanpage
Agora é terabyte
Que não acaba mais
Por mais que se deseje”

A canção mais curiosa e engraçada do álbum é “Quatro Pedacinhos”, feita em homenagem à biópsia cardíaca feita pelo compositor:

“Ela mandou arrancar
Quatro pedacinhos do meu coração
Depois mandou examinar
Os quatro pedacinhos

Um para saber se eu sinto medo
Um para saber se eu sinto dor
Um para saber os meus segredos
Um para saber se eu sinto amor”

No final das contas, em “Ok, Ok, Ok” temos o mesmo Gil de sempre, ou seja, um novo e diferente, inquieto e instigante a cada álbum.

 

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