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19 de agosto de 2019, 21h49

Um grito de liberdade e de inclusão pelas lentes de Ale Anselmi

“Optar pela não exclusão visual, pelo não apagamento social desses corpos é também uma escolha ética e política”, diz a fotógrafa em entrevista à Fórum nesta segunda-feira (19), data que marca o Dia Internacional da Fotografia

Fotos: Ale Anselmi

A fotógrafa Ale Anselmi postou em sua página no Facebook há alguns dias um depoimento emocionado sobre uma experiência surpreendente vivida por ela, ao registrar, por suas lentes, uma pessoa em situação de rua, que dançava para ela, sem o menor constrangimento.

No Dia Internacional da Fotografia, nesta segunda-feira (19), Ale revelou à Fórum o que a motivou a fotografar o homem dançando em plena rua, com a liberdade que a arte espalha: “A despeito de toda discussão em torno da fotografia de pessoas em situação de rua, fotografá-las é também dignificá-las. Optar pela não exclusão visual, pelo não apagamento social desses corpos é também uma escolha ética e política. É sobretudo, meu modo de abraçá-las”, conta.

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Para a fotógrafa, a conexão estabelecida com essas pessoas é algo que marca profundamente. “E, se ao final de tudo, a minha imagem tocar um coração que seja, já terá valido a pena. É assim que eu acredito que a fotografia contribui para nos aproximar em nossa mais profunda humanidade”, acrescenta.

Veja abaixo o texto postado por Ale em seu Facebook:

Desfilava na minha frente como se a avenida fosse dele, mexendo com todos que passavam… sorria, cantava… quando se virou e me viu com a câmera, perguntou: “É beleza que você quer? Então toma!!!” … “Toma beleza! Fotografa! Vai!”.

E eu fotografava enquanto ele seguia fazendo poses, em meio ao grito de ordem: “Toma, beleza! Toma!”.

Eu quis mostrar as fotos mas ele se recusou a ver e em vez disso gritou: “Posta no Instagram, tchau, fui!”. Virou as costas e continuou desfilando, provocando os olhares e as consciências adormecidas.

Mais no final do dia, o encontrei novamente, desta vez dançando com um amigo ao som de uma das inúmeras bandas de rua.
Sorriu, cantou, rodopiou, o bailarino da avenida ganhou meu coração!

Ale Anselmi – Foto: Arquivo Pessoal


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