Fórum Educação
31 de março de 2020, 18h59

31 de março: Dia dos monstros, por Marcos Danhoni

“Os saudosos de assassinatos e genocídios nos assombram, porque vemos que a Besta habita o interior dessas almas penadas devastadas pelo ódio!”

Foto: Alan Santos/PR

Por Marcos Cesar Danhoni Neves*

“Com fascista só se conversa na ponta da baioneta” (Giulio Cortini, antifascista italiano, arteficiere partigiano, que construiu a bomba que matou 33 nazistas na Via Rasella, em Roma, em 1944).

Existe uma parcela da população brasileira, idiotizada ao extremo, saudosa do golpe militar de 1964. Todo dia 31 de março essa parcela de zumbis se dirige às entradas de quartéis e Tiros de Guerra para exaltar a morte! Esse exército de “cidadãos de bem”, como se autodenominam, esquece-se de se olhar no espelho. O reflexo especular revelaria a verdadeira natureza de suas pobres almas: um conjunto de grotescas figuras à la Walking Dead.

Mas 31 de março é dia de lembrar o papel do Exército brasileiro em sua longa trajetória de massacres nos poucos mais de 500 anos de nossa triste história. Esse Exército, louvado por figuras patéticas como General Heleno (o anão!) e o General Mourão (o vice), além do próprio DesPresidente, Jair Bolsonaro, não passa de uma Instituição canhestra, genocida, que nos envergonha a todo instante.

Mantém até hoje uma compensação pecuniária para filhas “solteiras”, derivada de um decreto pós-guerra do Paraguai! Um descalabro, mas que revela a natureza pútrida da Instituição militar. Devemos lembrar que foi nessa guerra, a do Paraguai, que o Exército desvelou sua mais macabra propensão: a do genocídio. Matou sem dó nem piedade 90% da população masculina adulta daquele pequeno país. A última batalha vencida (Batalha de Acosta Ñu) se deu sobre uma pilha de milhares de corpos de crianças-soldados, que tinham restado dos bravos paraguaios contra os genocidas brasileiros. O Exército brasileiro matou, torturou, mutilou, estuprou milhares e milhares de pessoas, exaltados posteriormente por Duque de Caxias, patrono do Exército e da maçonaria brasileira.

Depois de quatro derrotas fragorosas, em outro conflito, o da Guerra de Canudos, contra uma população de miseráveis e lideradas por um líder messiânico, Antonio Conselheiro, o glorioso Exército brasileiro não se conteve e matou e degolou todos os resistentes, num novo genocídio, que a história ainda há de se lembrar além do “Os Sertões”, de Euclides da Cunha!

Em 1964 as Forças Armadas, comandadas novamente pelo Exército brasileiro, e manipuladas pelos norte-americanos (sempre!), executam o golpe de 31 de março, fazendo exilar um presidente legitimamente eleito, Jango, colocando na clandestinidade inúmeros políticos, e dando caça a qualquer dissidente do ato nefasto.

O AI-5 de 1968 torna a situação ainda mais irrespirável, legalizando as prisões, as torturas, mutilações e exílios. O Exército tomava aulas com torturadores importados dos Estados Unidos para se especializar na Vergonha de uma Nação! Matou homens, velhos, mulheres, crianças!

Um militar chamado de “bunda suja” por um dos generais golpistas, Ernesto Geisel, era cria desse ambiente infecto e foi processado por planejar atos terroristas para pressionar pelo aumento do soldo da soldadesca executora de ordens. O nome desse “bunda-suja”: Jair Messias Bolsonaro. A queda foi “para cima”: promovido a capitão, foi desligado do Exército, para, 27 anos depois, nos assustar com seu saudosismo genocida!

Antes de terminar, devemos lembrar o atentado do Riocentro, que acabou literalmente no colo do Exército brasileiro, com o soldado terrorista abatido em seu próprio veículo, com a bomba que ele pretendia matar milhares de pessoas, num show naquele espaço cultural. Ali começou a cair a ditadura militar!

Os saudosos de assassinatos e genocídios nos assombram, porque vemos que a Besta habita o interior dessas almas penadas devastadas pelo ódio!

Mas resistiremos! Hoje e Sempre! Bella Ciao!!!

*Marcos Cesar Danhoni Neves é professor titular da Universidade Estadual de Maringá, autor do livro “Estórias do Inexistir”, entre outras obras.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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