Como Weintraub entrou nos EUA se as portas estão fechadas para brasileiros?

Em menos de 48 horas após anunciar sua saída do MEC, ex-ministro desembarcou em Miami. Os EUA, no entanto, estão com fronteiras fechadas para brasileiros desde maio

No dia 18 de junho, depois de 14 meses no comando do Ministério da Educação, Abraham Weintraub anunciou sua saída da pasta. Pouco menos de 48 horas depois, no dia 20, ele avisava seus seguidores nas redes sociais que já estava Miami, nos Estados Unidos.

Desde o dia 24 de maio, no entanto, as autoridades americanas impedem o ingresso no país de qualquer pessoa que tenha estado no Brasil ao longo dos 14 dias anteriores à viagem. Trata-se de uma das medidas adotadas como forma de combate ao coronavírus, visto que o Brasil quase lidera em número de casos confirmados e mortes.

Com isso, desde então, tem-se questionado a ida do ex-ministro aos EUA. Se brasileiros não podem entrar no país, como Weintraub conseguiu?

De acordo com o Ministério da Educação, em nota enviada à imprensa, Weintraub chegou aos Estados Unidos como ministro e sua viagem estava relacionada com o novo cargo que ele deve ocupar no Banco Mundial.

Pouco mais de duas horas depois de sua aterrissagem em solo americano, o Diário Oficial da União (DOU) oficializou a sua saída do cargo. Dias depois, a pasta retificou o dia da demissão, a pedido de Weintraub, para que a sua saída fosse registrada no dia 19.

De qualquer forma, com a publicação tardia da exoneração, o ex-ministro conseguiu entrar nos EUA alegando um cargo público que lhe garante, tradicionalmente, passaporte diplomático e visto especial.

No entanto, no caso dos Estados Unidos, só o passaporte diplomático não garante a entrada do estrangeiro. Segundo especialistas consultados pelo UOL, Weintraub precisaria ainda ter alguma autorização concedida por autoridades americanas.

Segundo o Metrópoles, no entanto, o governo brasileiro não comunicou o consulado em Miami sobre a ida do ex-ministro. Ele tampouco estava em viagem oficial e a própria pasta alega que a viagem foi paga com dinheiro dele, em voo comercial.

Em entrevista à CNN Brasil, Weintraub confirmou que sairia do país o quanto antes para evitar que fosse “morto ou preso” – ele é investigado por ataque aos ministros do STF e por declarações racistas contra chineses.

As investigações, no entanto, parecem não preocupar mais o ex-ministro. Desde a sua chegada em Miami, ele tem postado fotos sem máscara e em lugares públicos, comendo fast-food e descumprindo o isolamento social aconselhado pelas autoridades de saúde.

A verdade é que a fuga de Weintraub parece ter sido planejada desde a sua exoneração. Resta saber, portanto, se ele de fato se aproveitou da condição de ministro, mesmo não estando mais no governo, para obter um visto especial e entrar nos EUA. E se as tais “dezenas de pessoas” que o ajudaram têm algum cargo no Itamaraty.

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Luisa Fragão

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