O vírus ‘diplomata’ – Por Pedro Fávaro Jr.

Sua Excelência realiza mais uma façanha grotesca, que a História (assim mesmo, com agá maiúsculo de Humanidade) jamais deixará impune ao tornar-se o primeiro (e até agora único) chefe de Estado a dar, solenemente, boas-vindas à chegada de um vírus ao Brasil

Por Pedro Fávaro Jr.*

Com o Brasil acumulando 630 mil mortos pela Covid-19 desde 2020 e o mundo 5,5 milhões de seres humanos que deixaram de respirar, Sua Excelência realiza mais uma façanha grotesca, que a História (assim mesmo, com agá maiúsculo de Humanidade) jamais deixará impune ao tornar-se o primeiro (e até agora único) chefe de Estado a dar, solenemente, boas-vindas à chegada de um vírus ao Brasil, a nova cepa Ômicron do Coronavírus. Mais – Sua Excelência avança e “diz que dizem” tratar-se de um “vírus vacinal” e que o Brasil está sendo curado pela “imunidade de rebanho”.

Autoridades políticas e sanitárias de todo o globo terrestre devem estar curiosas sobre essa definição de “vírus vacinal”, já que o vírus é uma coisa e a vacina outra. A vacina tem vírus morto ou atenuado, em suspensão, com objetivo de formar anticorpos no organismo infectado. Um “vírus vacinal” talvez seja (isso a Excelência não explicou) um Corona pós-graduado em Diplomacia Sanitária.

Viajando nas gotículas de alguma tossida, espirro ou escarrada, antes de entrar no seu corpo ele deve ter um comportamento cheio de etiquetas e se apesentar: “Com licença: eu sou um Ômicron, um dos netos do Coronavírus  e gostaria muito de deixar você imune nessa pandemia. Será que poderia me conceder tal honra, tal distinção?” E aí, você, achando que ele é “vacinal” mesmo, larga a máscara, esquece a dose de reforço, a higiene simples das mãos e o álcool em gel e se entrega. Vira gado…

Cuidado, é mito…A verdade é que o danado infecta e mata. Talvez esse Ômicron “vacinal” de Sua Excelência possa apenas estar repetindo o modelo apresentado a ele em Brasília, o de dizer uma coisa e fazer outra. “Vacinais”, de verdade, contudo, são os ancestrais do Ômicron hoje parte de alguma AstraZeneca, CoronaVac ou Pfizer-Biontech imunizando cidadãos e cidadãs conscientes, que respiram e ajudam a respirar melhor mantendo o respeito às normas de Saúde Pública e ao que diz a Ciência.

Aliás, apenas para concluir, não é demais lembrar Sua Excelência – nesse cenário pandêmico, asfixiado por tanta notícia falsa e hipocrisia -, de uma máxima atribuída ao pensador Ralph Waldo Emerson. Ele garante que “sucesso é saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu”.  

Pedro Fávaro Jr. é jornalista, escritor e diácono permanente da Igreja católica

**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

Publicidade