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26 de março de 2020, 11h12

Uma aliança entre fascistas e neoliberais faz a diferença

Quando miramos o continente, entendemos o porquê de o Brasil liderar os casos de mortos e infectados na América do Sul e no Caribe

Foto: Carolina Antunes/PR

Por Daniel Valença

Era um 18 de março, uma quarta-feira, quando Bolsonaro, exercitando sua tática de inimigo externo permanente, tuitou: “considerando a incapacidade do regime ditatorial venezuelano de responder à epidemia Covid-19, o governo brasileiro adotará medidas restritivas na fronteira com a Venezuela”.

À época, restava claro que o vírus havia chegado na América Latina e estaríamos perante uma nova realidade: desta vez, o vírus encontrava não apenas países despreparados para enfrenta-lo, mas marcados por uma desigualdade social, pobreza e miséria aviltantes.

A Venezuela, país pobre, de uma elite dependente da renda petroleira, e sob embargo econômico dos Estados Unidos, àquela data, contava com 42 casos confirmados e nenhuma morte. Para combater o vírus, ao contrário do governo Bolsonaro, Maduro determinara quarentena social coletiva, obrigatória, desde segunda 16/03. Desde lá, abertos estão apenas os equipamentos de saúde, farmácias, hospitais, mercados. No interior destes, há o controle da quantidade de pessoas, com a obrigatoriedade da distância de 1,5m e limitado o número de pessoas que podem circular ao mesmo tempo em seu interior. O governo organizou toda uma força tarefa de distribuição de alimentos, bem como decretou a estabilidade provisória e a garantia dos salários de todos os trabalhadores, enquanto perdurar a crise, pagos pelo governo.

Se formos para outro país também odiado pelo bolsonarismo, onde o neoliberalismo, as agendas de reformas trabalhista, da previdência, foram derrotados nas urnas, a Argentina, eram 128 infectados e 03 pessoas mortas há uma semana. O governo de Alberto Fernandéz também decretou, desde 20 de março, a quarentena obrigatória. Desde lá, funcionam apenas as áreas da saúde, alimentos, e áreas sensíveis como petróleo. Fernandéz decretou estabilidade provisória e direito ao salário a todos os trabalhadores do setor público e privado, garantidos pelo Estado, para que em casa ficassem. Mesmo as áreas sensíveis que se mantiveram em funcionamento, foram obrigadas a liberar os idosos e demais pessoas do grupo de risco para a quarentena, com a manutenção dos salários.
Já Cuba, a pequena grande ilha socialista, tomou uma série de medidas de prevenção, desde que surgiu o Coronavírus. Cuba realizou um controle epidemiológico em relação aos mais de 12 mil turistas que entraram nesse período no país. A confirmação dos primeiros casos no país se deu apenas em 12 de março. Há uma semana, a Ilha carregava consigo um caso de morte por coronavírus, um turista italiano de 61 anos, e 16 casos contabilizados.

Em 18 de março, o Brasil apresentava 529 infectados e 4 mortos. Como se percebe, Jair Bolsonaro não apenas não adotou nenhuma das medidas adotadas por outros governos latino-americanos, como, muito pior, iniciou uma cruzada contra a ciência, os fatos, a vida, para defender interesses particulares, de setores do empresariado e do mercado financeiro.

Uma semana após, podemos analisar a realidade em cada país e compará-los, por mais que uma investigação mais criteriosa requeresse cruzamento de dados quanto ao tamanho populacional, a inexistência de subnotificação, como ocorre hoje no Brasil, etc. Por isto, nos voltaremos apenas à quantidade de vítimas em cada país.

Nesta quarta, 25 de março, o Brasil saltou de 04 para 57 pessoas mortas. A Argentina, após aquela série de medidas, pulou de 03 para 08 mortes; Cuba, mesmo com todas as restrições decorrentes do embargo americano e de ser uma pequena ilha, manteve a estatística de uma única morte. A Venezuela de Maduro, até agora, continua sem pessoas mortas.

Quando miramos o continente, entendemos o porquê de o Brasil liderar os casos de mortos e infectados na América do Sul e no Caribe. E este governo de aliança entre fascistas e neoliberais tem papel decisivo para tal quadro.

Daniel Araújo Valença, professor da graduação e pós-graduação em Direito da UFERSA, coordenador do Grupo de Estudos em Direito Crítico, Marxismo e América Latina – Gedic, Vice-Presidente do PT/RN.


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