domingo, 20 set 2020
Publicidade

Uma live imperdível de Ingrid Gerolimich com Benedita da Silva, por Val Carvalho

Por Val Carvalho

A live da revista Fórum com Ingrid Gerolimich entrevistando Benedita da Silva, foi uma das melhores já feitas pela pré-candidata do PT à prefeitura do Rio.

Conduzindo a entrevista com a habilidade de uma mestra que sabe motivar os pontos chaves, Ingrid deixou Benedita à vontade para se colocar de forma visceral sobre as questões de fundo de sua rica trajetória de luta e de suas propostas para a prefeitura.

Provocou o bom debate sobre discriminação racial, em especial da mulher negra. Sobre a exclusão social, que Benedita viveu na própria pele e por fim sobre a coerência entre a sua fé cristã e sua prática política e opção partidária.

Benedita tem clareza absoluta sobre o enraizamento do racismo no Brasil, último país a abolir o trabalho escravo no continente americano. Explicou que é um racismo estrutural, que se reproduz nas instituições e é inculcado no “imaginário” dos indivíduos, nas famílias e na sociedade em geral. Por isso e para quem não divide a humanidade dessa forma preconceituosa e anticientífica, não é suficiente negar o racismo, mas principalmente ser antirracista.

Benedita apontou as diferenças entre as lutas antirracistas nos Estados Unidos, como no caso da reação ao frio assassinato de Georg Floyd e à execução de Marielle. No primeiro caso os protestos continuaram, mas com Marielle, ao primeiro momento de indignação nacional seguiu-se a desmobilização.

A luta antirracista no Brasil não pode ser apenas dos negros, mas de todos os que não aceitam a discriminação, a exclusão, a violência e a repressão histórica às classes dominadas. É uma luta contínua pelo que o Brasil tem de mais profundo em sua formação como Nação.

Perguntada se as demais candidatas mulheres não a incomodam, Benedita generosamente disse que ela e todas as demais mulheres candidatas lutam para “sair da nossa bolha”. Que o que mais a incomoda é ter de enfrentar os “figurões” que prometem coisas para enganar o povo. De maneira enfática disse que isso “não iria permitir”.

Destacou que a “favela foi a minha vida” e que tem vivência suficiente dos problemas do povo. Tem militância de tudo o que defende. Sobre a sua trajetória Benedita disse que “Não passei passando. Passei lutando”. Por isso ela sabe o que deve ser feito para cuidar do povo.

Nesse ponto Benedita destacou o legado social dos governos Lula e Dilma para o nosso povo. Ela participou diretamente das políticas de inclusão social e de combate à desigualdade racial e de gênero. Com toda a convicção afirma que o “povo precisa do PT”. Que o PT foi um partido criado de baixo, pela luta do trabalhador e que deixou suas marcas muito concretas que o povo quer que continuem. O povo quer emprego, saúde, educação e comida na mesa, diz ela.

Benedita cita Lula ao afirmar que a economia vai fluir quando se insere os pobres no consumo, quando se bota dinheiro nas mãos dos trabalhadores. Quando os pobres, as mulheres e aqueles que voltaram para mapa da fome estiverem bem, toda a cidade vai cantar!

Na parte final da entrevista Ingrid perguntou sobre a sensível questão da manipulação política que Bolsonaro faz da fé do povo. Sobre isso Benedita fez uma afirmação muito forte e corajosa, ao dizer que a “Igreja de Cristo não comunga com a maioria das igrejas dos homens”. Para ela a questão não está no “amar a Deus sobre todas as coisas”, mas em “amar o próximo como a si mesmo”. Aí é onde os homens têm mais dificuldade para cumprir o mandamento de Deus.

Diz que a leitura da Bíblia é muita rica e explica o que está acontecendo, mas nem tudo o que acontece ela quer para si. Não quer, por exemplo, perseguir as pessoas porque pensam diferente ou porque professam outra religião. Não quer impedir as diferentes manifestações culturais. O que ela quer é ser prefeita de uma cidade plural e laica, pois não vai cuidar da religião de ninguém, mas garantir a vida e os direitos das pessoas.

*Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Revista Fórum.

Assista a entrevista:

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.