Fórum Educação
09 de abril de 2020, 16h47

Estudante do RJ que usava máscara de proteção relata racismo de segurança de centro comercial

"Os gritos, o constrangimento, os olhares de todas as pessoas do mercado. Estou acostumado com tudo isso? Infelizmente, sim. Mas eu também me acostumei a não deixar passar em branco", desabafou o jovem pelas redes sociais

Divulgação

Um estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) denunciou na noite desta quarta-feira (8), pelas redes sociais, um caso de racismo que teria sofrido em um centro comercial no bairro de Alcântara, município de São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Carlos Paulo Falcão Cândido da Silva, de 21 anos, contou que foi a uma unidade do supermercado Carrefour para comprar itens que sua mãe havia pedido. Ele relatou que o dia estava chuvoso e, por isso, usava capuz, durag (um acessório para modelar o cabelo) e uma máscara de proteção, assim como inúmeras pessoas vêm usando para se proteger do contágio do coronavírus.

A unidade do Carrefour que o jovem visitou fica em um centro comercial, onde também funcionam outras lojas, como a Lojas Americanas. O estudante contou que, quando entrou nesta segunda loja, foi abordado de maneira grosseira por um segurança do supermercado.

“AOS GRITOS dizia haver uma lei que me proibia de usar o capuz. A lei existe, de fato É a LEI Nº 6717 de 18 de março de 2014. O artigo primeiro proíbe ‘o ingresso ou permanência de pessoas utilizando capacete ou qualquer tipo de cobertura que oculta a face, nos estabelecimentos comerciais, públicos ou aberto ao público’. No parágrafo segundo a lei deixa claro que ‘os bonés, capuzes e gorros não se enquadram na proibição’, a não ser que ocultem a face da pessoa, o que não era o caso”, explicou Carlos Paulo.

Em uma sequência de tuítes, o estudante relatou ainda ter explicado ao segurança que a lei também prevê a abordagem sem constrangimento – o que não teria acontecido.

“Foi a primeira característica minha que o segurança da rede Carrefour notou: que sou preto. E aos gritos, chamando a atenção de todos os consumidores do mercado para mim, tentava fazer valer uma lei que NÃO SE APLICAVA A MIM. Essa tentativa de cumprir a lei naquele momento era, na verdade, a tentativa de mascarar o racismo explícito com o qual eu lido desde que me entendo por homem preto”, escreveu.

“Os gritos. O constrangimento. Os olhares de todas as pessoas do mercado. Estou acostumado com tudo isso? Infelizmente, sim. Mas eu também me acostumei a não deixar passar em branco e a lutar pra fazer valer uma outra lei: a do crime de racismo”, desabafou.

Ao final, o estudante ainda pediu providências do Carrefour pela atitude do segurança.

Ao jornal O Globo, Carlos Paulo informou que registrou um boletim de ocorrência online por injúria racial.

Na mesma postagem, o perfil oficial do Carrefour respondeu informando que a rede de supermercados lamenta o ocorrido e que repudia qualquer forma de preconceito. O mercado informou, porém, que o segurança citado não é de responsabilidade da rede mas, sim, do centro comercial onde está instalada a unidade.

Fórum tentou contato com o Centro Comercial Alcântara mas não obteve sucesso. O espaço está aberto para manifestação dos responsáveis pelo centro comercial sobre o caso.


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