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22 de abril de 2019, 21h58

Governo de João Doria despeja 400 famílias sem-terra no interior de São Paulo

Depois de oito meses de ocupação e muita produção de alimentos agroecológicos em Mogi-Guaçu, as famílias de agricultores foram retiradas de área abandonada pelo estado

Foto: MST

Por RBA

O governo de João Doria (PSDB) despejou nesta segunda-feira (22) 400 famílias de trabalhadores rurais organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na cidade de Mogi-Guaçu, interior paulista. A área compunha a antiga Fazenda Campininha e atualmente pertence ao estado de São Paulo.

As famílias deixaram o local com lavouras de maxixe, mandioca, quiabo, melancia e outras variedades de cultivos, produzidos em sistema agroecológico nos oito meses de ocupação do terreno. “Nossa maior tristeza é deixar nossa roça, pois essa terra é muito boa. Já colhemos muito e nos próximos meses iríamos colher muito mais. É muito triste saber que toda essa terra vai voltar a ficar abandonada, mas não vamos desistir. Aqui ainda vai ser nosso assentamento”, afirmou a agricultora Sueli Borges.

A área esteve abandonada por anos, sendo alvo de queimadas frequentes e depósito de carros roubados. Segundo o MST, o espaço está em processo de venda pelo governo paulista, “para beneficiar grandes empresas do agronegócio com a terra pública”.

“O governo optou pela reintegração de posse, perdendo a chance de realizar a reforma agrária e cumprir a função social da terra, tornando a área produtiva, com geração de renda e desenvolvimento econômico para a região”, lamentou Sueli. As famílias acusam o governo Doria de não se importar com a situação delas, não oferecendo qualquer apoio material ou ação social para os agricultores despejados.

Declaração de guerra

Os sem-terra seguirão reivindicando a destinação da área da Fazenda Campininha para reforma agrária, com a implementação de um assentamento agroecológico. Doria declarou guerra ao MST ainda no período eleitoral, afirmando que não aceitaria novas ocupação no estado.

O governador vetou também a realização da quarta edição da Feira Nacional da Reforma Agrária no Parque da Água Branca, na capital paulista. O evento ocorreu no local nos três anos anteriores, promovendo forte movimento de consumidores em busca de produtos orgânicos e agroecológicos produzidos em assentamentos de todas as regiões do país – além das atrações culturais e debates voltados para a promoção do manejo sustentável da terra e da segurança alimentar.


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