Rodrigo Pilha, preso após estender faixa de “Bolsonaro genocida”, vai para o regime aberto

O ativista, preso desde 18 de março, chegou a escrever escreveu uma carta, em maio, na qual denunciou uma série de violações de direitos humanos que sofreu e que tem observado no cárcere.

A Justiça deferiu, nesta terça-feira (6), o pedido de progressão ao regime aberto do ativista Rodrigo Pilha. Em 29 de abril, o Blog do Rovai revelou que ele, preso por estender uma faixa chamando o presidente Jair Bolsonaro de genocida, havia sido espancado e humilhado no cárcere. Enquanto, esteve detido, Pilha dormiu no chão.

Rovai conversou com diversas pessoas que têm proximidade com ele, que não podia dar entrevistas, e confirmou a informação que já havia sido publicada sem maiores detalhes num tuíte por Guga Noblat.

O ativista, preso desde 18 de março, chegou a escrever uma carta, em maio, na qual denunciou uma série de violações de direitos humanos que sofreu e que tinha observado no cárcere.

Desde abril, ele passou para o regime semiaberto (em que pode trabalhar, mas tem que voltar à prisão na parte da noite), e atualmente estava encarcerado no Centro de Progressão Penitenciária, no Distrito Federal.

A carta

“Informo a vocês que o mesmo espancamento que sofri, as agressões verbais, as ameaças e as torturas psicológicas e físicas pelas quais passei por ser ativista de esquerda, eu também presenciei e ainda presencio as mesmas práticas em relação a outros apenados, e muitas das vezes, de maneira gratuita ou por mero sadismo das autoridades que as praticam”, escreveu na carta.

No texto, Pilha deu detalhes de como têm se dado as agressões em sua unidade prisional e afirmou que sabia do risco que corria por fazer as denúncias. Ele anunciou, contudo, que estava “ainda mais aguerrido e com muito mais vontade de lutar e defender a dignidade da pessoa humana, os direitos humanos e as utopias de construir um mundo mais justo e igualitário”.

“Prefiro o risco da dignidade da luta, a me pôr de joelhos diante dos ‘poderosos’ e coniventes com um sistema penitenciário dispendioso, violento, ineficiente, covarde, falido, e acima de tudo, INJUSTO! Aconteça o que acontecer, JAMAIS VOU ME CALAR DIANTE DE INJUSTIÇAS!”, pontuou, antes de finalizar a carta com a mesma frase que estampou na faixa no seu último ato público antes de ser preso: “Fora, Bolsonaro genocida”.

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Foto Reprodução

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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