“Bolsonaro francês” aponta fuzil à imprensa e aparece no 2° turno com Macron, diz pesquisa

Éric Zemmour, apresentador de televisão, polemista e radical de direita cresce vigorosamente na preferência do eleitorado do país europeu e deve desafiar o atual presidente na corrida ao Palácio do Eliseu no ano que vem

Uma pesquisa do Instituto Ipsos encomendada pelo diário parisiense Le Monde e pelo Centro de Pesquisas Políticas CEVIPOF, da prestigiada Sciences Po, mostrou que Éric Zemmour, um apresentador de televisão conhecido por suas polêmicas e posições radicais de direita, estaria hoje, potencialmente, no 2° turno da eleição presidencial da França, enfrentando o atual ocupante do Palácio do Eliseu, Emmanuel Macron. A disputa está marcada para abril de 2022.

A sondagem mostrou que Zemmour, um fã de Donald Trump e que já respondeu a ações judiciais por propagação de ódio e racismo, ainda sem partido, teria entre 16% e 16,5% das intenções de voto, deixando para trás a tradicional candidata de extrema direita Marine Le Pen, do Rassemblement National, filha do também extremista Jean Marie Le Pen, principal figura do segmento político durante a segunda metade do século XX, que apareceu no levantamento da Ipsos com um índice de 15% a 16%. Na ponta da tabela, manteve-se Macron, atual chefe de Estado e filiado ao partido En Marche!, com taxas de 24% a 28%.

Comentarista no canal de notícias CNews e colunista do jornal conservador Le Figaro, Zemmour ataca violentamente os imigrantes que vivem na França e tem como alvo preferencial os muçulmanos, que formam a maior comunidade de estrangeiros e descendentes do país europeu. O comportamento parece ter agradado o eleitorado local, ainda que ele não tenha se filiado formalmente a uma legenda e tampouco confirmado seu nome no pleito.

O grupo social que mais simpatizou com as estrepolias de Zemmour foi aquele formado por homens brancos maiores de 60 anos, enquanto as mulheres abaixo de 35 anos são as que mais rejeitam o novo radical-sensação da França, que, se confirmar sua candidatura, pode somar votos com Marine Le Pen num eventual 2° turno.

Fuzil apontado para jornalistas

Éric Zemmour foi destaque na imprensa internacional nesta sexta-feira (22) por apontar um fuzil equipado com apetrechos próprios de atiradores de elite para jornalistas que acompanhavam sua visita a uma feira chamada Militol, nos arredores de Paris, que é um dos maiores eventos de segurança e de armas do país.

O novo extremista a cair nas graças do eleitorado conservador francês empunhou o armamento, fez mira contra a imprensa e disse sarcasticamente “ça rigole plus, là” (“agora ninguém mais ri”). A atitude causou furor na sociedade do país europeu, especialmente no meio político, que teme a possibilidade de Zemmour tornar-se uma ameaça à democracia na França.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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