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06 de dezembro de 2019, 19h00

Centro de estudos latino-americano aponta inconsistências em relatório da OEA sobre eleições da Bolívia

Evo Morales seria eleito em primeiro turno mesmo com a anulação das urnas questionadas pela OEA; entidade também ignorou pontos fundamentais sobre a apuração

Evo Morales - Foto: Reprodução/Twitter

Dois dias após a Organização dos Estados Americanos (OEA) publicar seu informe final sobre as eleições da Bolívia, o Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (CELAG) publicou uma análise que critica as inconsistências apresentadas na avaliação da OEA sobre os comícios de 20 de outubro. A posição da organização foi fundamental para a derrubada de Evo Morales, através de um golpe de Estado em 10 de novembro.

Segundo a CELAG, a OEA, em sua avaliação, trata principalmente do sistema de divulgação de dados prévios da apuração (TREP) e não os resultados consolidados. Além disso, o centro aponta que a entidade não traz denúncias contundentes capazes de comprovar uma fraude.

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O centro aponta que na avaliação sobre o sistema de dados TREP, a OEA omite que: “1) este não é o sistema de contagem oficial, 2) o TREP não estava desenhado para apresentar dados acima de 90% em nenhum caso e 3) que as supostas irregularidades no procedimento de carga de dados, caso sejam verdadeiras, só justificariam uma irregularidade procedimental, já que nada se prova sobre como e para que se utilizaram supostos servidores adicionais”. Dez dos doze pontos levantados tem a ver com o TREP.

Outra questão levantada pela OEA questionada pelo CELAG tem a ver com as mesas anuladas por “fraude”. Foram 226 as atas consideradas nulas (das 4.692 totais) e em 59 a organização viu “graves irregularidades” por estarem díspares da contagem das outras mesas. Segundo a CELAG, isso não se comprova quando analisadas as porcentagens dessas atas com as outras dos mesmos municípios.

Segundo o centro, mesmo se os votos dessas 226 urnas fossem integralmente para Carlos Mesa, Morales seguiria vencendo em primeiro turno com uma vantagem de 10,08 pontos percentuais a seu favor.

“Definitivamente, o informe da OEA, seja por incapacidade técnica ou por dolo, incorre em debilidades manifestas”, finaliza a análise.

Legislação eleitoral

Horas antes da publicação do texto do CELAG, o presidente Evo Morales, exilado no México, também criticou a OEA. “O golpe de Estado acusa-me de fraude eleitoral, quando nem mesmo no relatório da OEA fala sobre fraude, mas sobre irregularidades. A lei estabelece que, se houver irregularidades, a votação deverá ser repetida nessas mesas. Nossa vitória foi roubada no primeiro turno”, tuitou.


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