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05 de junho de 2019, 11h06

Com 57 bilhões de dólares em 2018, Argentina concentra 61% dos empréstimos concedidos pelo FMI

Quase um ano depois da chegada do chamado "apoio financeiro", a Argentina, no entanto, continua mergulhada em uma gravíssima crise financeira. Equador, que recebeu US$ 4,2 bilhões, é o segundo destino dos recursos do FMI

Greve geral na Argentina (Arquivo/CTA)

Devedores do FMI (Fonte: CESO)

Uma cifra levantada esta semana pelo Centro de Estudos Econômicos e Sociais Scalabrini Ortiz (CESO), de Buenos Aires, apontou uma realidade preocupante em nível internacional: com os 57,1 bilhões de dólares recebidos em 2018, a Argentina passou a ser o destino de 61% dos créditos atualmente outorgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Aliás, segundo o gráfico elaborado pelo CESO, com informações provenientes do próprio Fundo, o segundo destino preferencial dos empréstimos também é um país sul-americano: o Equador, que recebeu 13% dos créditos, um empréstimo de 4,2 bilhões de dólares. Assim, o subcontinente passou a ter 61,3 bilhões de dólares do FMI, equivalentes a 74% dos empréstimos aprovados pelo organismo. Também é possível notar no gráfico que nenhum outro empréstimo outorgado tem porcentagem de dois dígitos.

Evidentemente, o caso argentino é o mais preocupante, não só porque o valor total é muitíssimo maior que qualquer outro empréstimo como também pelo fato de que atualmente, quase um ano depois da chegada de tal apoio financeiro, o país continua enfrentando uma gravíssima crise financeira, o que torna muito difícil encontrar uma perspectiva na qual a Argentina possa pagar tamanha dívida.

Tanto é assim que, nesta mesma semana, o risco-país argentino voltou a superar os mil pontos, o que significa a completa incapacidade de pagamento por parte do seu governo, liderado pelo neoliberal Mauricio Macri.

E o cenário pode ficar pior ainda: segundo o site argentino BAE Negócios, informes de diferentes consultorias do país indicam que o governo precisará pedir, em breve, outra ajuda financeira de organismos internacionais, devido à acelerada drenagem de reservas, que a gestão econômica não tem sido capaz de conter.

Em entrevista para o canal El Destape (no vídeo linkado ao lado, a partir do minuto 22:15), o economista Andrés Asiaín, diretor do CESO, fez um questionamento sobre tal situação, a qual considera que deveria ser motivo de preocupação a nível global: “qualquer norma de prudência financeira, de qualquer instituição financeira, seja ela privada ou pública, em qualquer país do mundo, diz que não se pode concentrar tantos créditos em um só cliente, porque se esse cliente não pagar, ele te quebra”.

Para o economista, a diretora-chefe do FMI, Christine Lagarde, comete “uma irresponsabilidade que não se explica por nenhuma lógica financeira e sim por uma lógica geopolítica, que é a decisão de Donald Trump (presidente do país com maior influência sobre o FMI) de apoiar um governo alinhado com os Estados Unidos na região, para evitar uma mudança de governo na Argentina, mesmo que para isso seja preciso violar as normas de prudência financeira”.

Asiaín também acredita que tamanho empréstimo coloca em dúvida o futuro da própria instituição financeira, caso a Argentina se encontre impedida de pagar a dívida que adquiriu em 2018, “o que, considerando a atual situação da economia argentina, é um cenário altamente provável”.


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