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04 de dezembro de 2019, 10h31

Como a Estônia se tornou o melhor país em educação do mundo Ocidental

Com investimento massivo em educação, o pequeno país europeu aparece como a quinta melhor educação do mundo e primeira do Ocidente

Reprodução

Ex-república soviética, a Estônia é, novamente, o país europeu com melhor desempenho no Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). A avaliação trienal é realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que avaliou o pequeno país banhado pelo mar Báltico como a quinta melhor educação do mundo e primeira do Ocidente.

O ranking, divulgado na terça-feira (3) e que avalia o ano de 2018, leva em consideração três áreas do conhecimento: leitura, matemática e ciências. Nas três, a Estônia lidera como país europeu e ocidental, ficando atrás da China, Singapura, Macau e Hong Kong, respectivamente. Matemática é a única área que fez a Estônia perder algumas colocações, também para países asiáticos, ficando em oitavo lugar.

Na última avaliação do Pisa, também em 2018, o país europeu já mostrava a que veio: naquele ano, ficou em terceiro. Em entrevista à BBC Brasil, a ministra da Educação e Pesquisa do país, Mailis Reps, explica que o sucesso da educação na Estônia se baseia em três pilares: “a educação é valorizada pela sociedade, o acesso é universal e gratuito e há ampla autonomia (de professores e escolas)”.

Na Estônia, a educação é gratuita e inclusiva em todos os níveis, explica Reps, o que significa que todos têm igual possibilidade de inserção. “Também oferecemos acesso igual a vários serviços de apoio baseados nas necessidade, como refeições gratuitas na escola, fornecimento de materiais didáticos, serviços de aconselhamento, além de subsídios em transporte e, a partir do ensino secundário, acomodação”, conta.

Durante séculos, o pequeno país teve suas terras ocupadas por outros povos, principalmente suecos e russos. Apenas em 2017 a Estônia foi considerada como Estado autônomo. De 1940 a 1991, o pequeno país se tornou um estado membro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No entanto, a luta pela educação marcou a trajetória do país ao longo de todos esses anos. Há mais de um século atrás, o o índice de alfabetização da população já era de 94%.

Atualmente, o país investe 6% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação. O governo estoniano aplica o equivalente a R$ 28 mil no ensino básico, sendo que parte importante dos investimentos também vai para os salários dos professores. Na Estônia, a categoria teve um incremento de renda de 80% na última década. Hoje, o salário-base dos docentes é de 1.250 euros.

Pensamento crítico

O Pisa é um exame que trabalha com interpretação de texto e relação, inclusive quando o assunto é matemática e ciências. O diferencial deste ranking com relação aos demais é que o foco não é o conhecimento específico e objetivo, mas sim como o aluno relaciona as áreas de conhecimento entre si e qual é seu nível de pensamento crítico.

A avaliação da OCDE é uma importante ferramenta para diagnóstico do nível de educação nos países e quais as políticas públicas necessárias para cada caso. “Mas não é só português e matemática”, explica a professora titular da PUC-SP, Madalena Peixoto. O que o Pisa instiga, diz ela, é a produção de uma escola crítica, “que tenha tempo integral, que tenha teatro e cinema, que tenha balé, essas coisas. Que incentive interpretações entre conhecimento e o mundo”, conta.

“Não basta melhorar o professor. É preciso melhorar a escola como um todo, fomentar conhecimento crítico, discussão e leitura. Nenhuma das políticas atuais atuam desta forma, o discurso atual é de privatização, mas isso não resolve o problema”, completa.

A professora aproveita para comentar o caso do Brasil, que está estagnado no ranking desde 2009. O país ainda aparece entre as 20 piores colocações, sendo que, ao todo, foram analisados 79 países e territórios. “É importante que as críticas à educação no país questionem o seguinte: para que estamos formando? Para produzir tecnologia, ciência, ou para ser dependente?”, comenta Peixoto. “Para que o país europeu forma? Ora, para ter uma mão de obra de ponta, para ter indivíduos críticos”.


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