Equador: Andrés Arauz domina buscas no Google, mas correístas temem fraude

Última pesquisa, publicada há 10 dias, apontava empate técnico, mas apoio de lideranças indígenas pode ter dado novo fôlego a Arauz

Dados do Google Trends mostram que o economista Andrés Arauz (UNES), ex-ministro do ex-presidente Rafael Correa, dominou as buscas no mecanismo de pesquisa nos últimos sete dias que antecederam este domingo (11), em que os equatorianos decidem o pleito presidencial no segundo turno. Apesar da possível vantagem, há um forte temor de fraude nas urnas, tendo em vista o histórico recente de perseguição que o movimento da Revolução Cidadã enfrenta.

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Segundo a plataforma, 68% das buscas – mais de dois terços – foram direcionadas a Arauz, enquanto apenas 32% foram sobre o banqueiro neoliberal Guillermo Lasso. Esses dados são um importante parâmetro para medir o clima da reta final, tendo em vista que as últimas pesquisas saíram há 10 dias. Na ocasião, Lasso vinha se aproximando de Arauz diante de uma campanha acusada de promover notícias falsas e utilizar robôs.

Para Diogo Ives, professor de Relações Internacionais no Centro Universitário La Salle e pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA) do IESP-UERJ, essa mobilização das redes de Lasso “reforça uma tendência recente, na América Latina, de que elites favoráveis ao projeto de Estado mínimo estão precisando recorrer a manipulações de informação para angariar apoio popular a uma agenda que se mostra reiteradamente frágil para gerar bem-estar coletivo, como evidenciado na crise latino-americana dos anos 1990, na crise global a partir de 2008 e no combate à pandemia hoje”.

A possível retomada do fôlego de Arauz acontece em meio ao apoio do presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Jaime Vargas, e diversas lideranças indígenas, além de movimentos sociais que usualmente não dialogam tão bem com o ex-presidente Rafael Correa, como o movimento LGBTQI+. A movimentação do líder da Conaie contrariou a estratégia do terceiro colocado do pleito, Yaku Pérez, e do partido Pachakutik, que pedem voto nulo. O posicionamento de Vargas provocou a expulsão dele da legenda.

Para Mônica Valente, esse apoio deu uma grande força para a campanha de Arauz nos últimos dias. “A disputa está no mesmo patamar com um candidato identificado com o neoliberalismo que acabou fazendo parte do governo Lenín Moreno, o banqueiro Lasso, e um candidato anti-neoliberal, democrático e popular que quer retomar o desenvolvimento soberano, a integração regional, o estado com inclusão social, que é o Arauz. Eu acho que se não houver nenhuma tentativa de golpe, Andrés Arauz deve se consagrar vencedor no segundo turno”, afirmou ao Fórum América Latina, na segunda-feira (5).

Esse temor de fraude anda assusta o movimento, que sido alvo nos últimos anos de forte perseguição por parte do Poder Eleitoral. Em mensagens publicadas nas redes, militantes acusam a empresa Cedatos de manipular os números da boca de urna para criar um clima de instabilidade de favorecer Lasso.

Reportagem do jornalista Marco Teruggi, no Página 12, detalhou o esquema que estaria sendo armado no interior do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) sob pressão de aliados de Lasso e de Jaime Nebot, dirigente do Partido Social Cristão. Três dos cinco nomes que integram o conselho são ligados à direita do país. Na estratégia, seriam enviados mais cédulas ao interior do país para “engravidar” urnas em favor do banqueiro. Outra possibilidade envolve uma manipulação na submissão das atas ao sistema virtual.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina