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01 de novembro de 2019, 19h32

Exclusivo: Chile vive segunda jornada de marchas multitudinárias e volta a pressionar governo de Piñera

Em Santiago, estiveram presentes mais de 200 mil pessoas, segundo a imprensa local. Polícia tentou dispersar multidão com ataque de bombas lacrimogêneas, sem sucesso

Foto: Victor Farinelli

Do Chile, especial para a Fórum

Nesta sexta-feira (1), a sociedade chilena mostrou que mudou o mês, mas o clima de rebelião popular continua o mesmo. O país viveu mais uma jornada de manifestações em diversas cidades, com destaque para o ato no centro da capital, Santiago, que contou com 200 mil pessoas, segundo a imprensa local.

O país vive um ambiente de convulsão social desde o dia 18 de outubro, quando ocorreu a primeira grande revolta por causa do aumento da passagem do metrô. Duas semanas depois daquela primeira explosão popular – e com um período de sete dias de estado de exceção e toque de recolher nesse meio tempo – as demandas mais importantes já são outras: a renúncia do presidente Sebastián Piñera e o início de um processo para criar uma nova constituição, através de uma assembleia constituinte. A atual carta magna do país ainda é a imposta pelo ditador Augusto Pinochet, em 1980.

Na capital, os protestos se concentraram na Praça Itália, o mesmo local onde se realizou a marcha massiva da sexta-feira passada. As organizações sociais começaram a ocupar o local por volta das 15h30. Havia representantes do movimento estudantil, do movimento feminista, grupos de defesa dos direitos LGBTI. Até mesmo o futebol se fez presentes, com representantes de torcidas organizadas de vários clubes de Santiago, como Colo-Colo, Universidad de Chile, Universidad Católica, Palestino, entre outros.

Limpeza da imagem

Um desses torcedores era Bernardo Retamal, ligado aos Los de Abajo, torcida organizada da Universidad de Chile. Ele lembra que “essa posição que estamos tendo agora ajuda a limpar um pouco a imagem de 20 anos atrás: quando Pinochet foi preso, alguns torcedores organizados, que não representavam o sentimento de toda a torcida, se acharam no direito de falar em nome de todos e pedir a soltura do ditador. Agora é muito melhor, estamos lutando juntos para derrubar o legado daquela ditadura”.

O clima de protesto pacífico, marcado por diversas manifestações artísticas, teve momentos peculiares, como o momento em que um manifestante levou o público ao delírio, ao entrar na praça com um ônibus antigo de cores branco e amarelo, que eram os típicos usados em Santiago antes da privatização do serviço de transporte público da capital.

Mas nem tudo foi manifestação pacífica. Perto da praça, de dentro da estação Baquedano do metrô, por volta das 16h30, a polícia chilena começou a jogar bombas de gás lacrimogêneo, na tentativa de dispersar a multidão. Justamente quando começaram a chegar os grupos mais numerosos de manifestantes.

Reação

A tentativa não deu resultado. Algumas pessoas próximas reagiram jogando pedras, mas foram contidas por outros manifestantes. Na praça, a multidão começou a pular e gritar “quem não saltar é paco, quem não saltar é paco…”. “Paco” é um termo pejorativo para o se referir aos policiais, muito usado no país. Em seguida, o grito passou a ser contra o presidente: “Piñera, conchesumadre (o mesmo que fdp), assassino igual a Pinochet”.

O grande desafio que os chilenos parecem entender neste momento esteve expressado em uma cena perto do monumento da Praça Itália. Um casal sentado na grama, se beijando, ela com o cartaz pendurado no pescoço que dizia “meu maior medo é que, depois que tudo isso acabe, volte tudo ao normal”.

Assista ao vídeo:

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