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11 de novembro de 2019, 07h18

Golpista boliviano que se reuniu com Ernesto Araújo manda prender Evo Morales

Líder da ala mais violenta das manifestações, Luis Fernando Camacho invadiu o Palácio de Governo da Bolívia munido de uma Bíblia e uma bandeira do país: “Nossa luta não é com armas, é com fé. Deus abençoe Bolívia!”, escreveu nas redes sociais

Ernesto Araújo, Carla Zambelli e Luis Fernando Camacho (Reprodução/Facebook)

Luis Fernando Camacho, líder das extrema-direita da Bolívia e um dos comandantes do golpe de Estado na Bolívia, divulgou nas redes sociais na noite deste domingo (10) a informação de que foi pedida a prisão de Evo Morales, que renunciou à Presidência do país após atos violentos contra parentes e membros de seu governo praticados por grupos paramilitares, que se alastraram sobre a sociedade civil.

“Confirmado! Ordem de prisão para Evo Morales. A polícia e os militares estão procurando por ele no Chapare, lugar onde se escondeu”, tuitou Camacho, ressaltando que Evo foi retirado do avião presidencial.

Neste domingo, Camacho invadiu o Palácio de Governo da Bolívia pouco antes da renúncia do presidente Evo Morales munido de uma Bíblia e uma bandeira do país. Camacho liderou a ala mais violenta das manifestações que resultaram na queda de Morales e tinha o apoio do Itamaraty, comandado pelo olavista Ernesto Araújo.

Durante o intento de derrubar o presidente reeleito, Camacho afirmou que levaria Deus novamente ao Palácio de Governo. Logo após a renúncia de Evo, ele publicou a seguinte mensagem no Twitter: “Nossa luta não é com armas, é com fé. Deus abençoe Bolívia!”.

Laços com Bolsonaro
Presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Camacho foi recebido por Ernesto Araújo, chanceler de Jair Bolsonaro, em maio para tratar sobre a Bolívia. “Conseguimos o compromisso pessoal e governamental do chanceler Ernesto Fraga Araújo de elevar como estado brasileiro e garante da cpe a encomenda de interpretação da convenção sobre a reeleição indefinida para a CIDH. O Chanceler instruiu de forma imediata e na mesma reunião que se realize a consulta”, relatou.

Neste domingo, o chanceler Ernesto Araújo disse que não há golpe no país. “Não há nenhum golpe na Bolívia. A tentativa de fraude eleitoral maciça deslegitimou Evo Morales, que teve a atitude correta de renunciar diante do clamor popular. Brasil apoiará transição democrática e constitucional. Narrativa de golpe só serve para incitar violência”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Brasil.

Os laços do Brasil com o golpismo na Bolívia ficam mais destacado com os áudios revelados pelo jornal boliviano El Periódico, onde um interlocutor revela o apoio “das igrejas evangélicas e do governo brasileiro” ao golpe, e fala de um suposto “homem de confiança de Jair Bolsonaro, que assessora um candidato presidencial”. “Temos que começar a nos organizar para falar de política nas igrejas, como já se faz a muito tempo no Brasil, que já tem deputados, prefeitos e até governadores da igreja (evangélica)”, diz.

Camacho aparece na lista do caso que ficou conhecido como Panamá Papers como intermediáro e dono de empresas offshore que seria usadas para lavagem de dinheiro de origem duvidosa, especialmente em casos de corrupção.

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