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12 de novembro de 2019, 14h04

Greve geral leva mais de 1 milhão às ruas do Chile e comprova rejeição à terceira oferta de pacificação de Piñera

A greve tem como principais exigências a renúncia do presidente Sebastián Piñera e a criação de uma assembleia constituinte para elaborar uma nova constituição e substituir a atual, imposta em 1980 pelo ditador Augusto Pinochet

Greve geral leva mais de 1 milhão às ruas no Chile (Crédito: Grupos Salud Primero)

Direto do Chile, especial para a Fórum

A convulsão social no Chile não dá nenhum sinal de que vai esmorecer. Nesta terça (12) produziu mais uma demonstração de força popular nas ruas de todo o país: uma greve geral que paralisou Santiago, as 15 capitais regionais e mais de 100 outras cidades do país, mobilizaram mais de um milhão de pessoas contra o atual governo e o modelo econômico neoliberal vigente no país.

Além das marchas massivas em todas essas cidades e em diferentes pontos de Santiago, os manifestantes montaram barricadas nas principais estradas do país, e paralisaram todos os portos, aeroportos e aduanas chilenas.

Participam das mobilizações de hoje entidades como a CUT (Central Unitária dos Trabalhadores do Chile), a ANEF (Associação Nacional de Empregados Públicos), A Associação de Professores, a Associação Médica, a Confusam (Confederação de Funcionários da Saúde), a Fenaspar (Federação Nacional de Sindicatos de Pescadores), a Anfach (Associação Nacional de Funcionários de Aduanas), sindicatos dos transporte público, a Associação de Jornalistas, além de sindicatos regionais do país inteiro, da Coordenadora Feminista 8 de Março, movimentos pela diversidade sexual, pelos direitos humanos e diversas entidades do movimento estudantil.

Renúncia e Assembleia constituinte
A greve tem como principais exigências a renúncia do atual presidente, o megaempresário Sebastián Piñera, e a criação de uma assembleia constituinte que, caso aconteça, seria a primeira da história do país, para elaborar uma nova constituição e substituir a atual, imposta em 1980 pelo ditador Augusto Pinochet.

Na noite de domingo (10), Piñera anunciou que iniciaria nesta semana um processo de reforma constitucional que chamou de “congresso constituinte”, sem dar maiores detalhes sobre a fórmula, mas descartando que se tratasse de uma assembleia constituinte, como reivindica o movimento social. A massividade dos eventos desta terça deixa claro qual é a resposta das ruas a esta iniciativa.

Eleições antecipadas
A proposta constitucional foi a terceira tentativa de Piñera de oferecer mudanças em troca de pacificação. A primeira foi no dia 28 de outubro, com uma reforma ministerial, e a segunda foi na semana passada, no dia 6 de novembro, quando lançou um projeto para estabelecer uma renda mínima. Ambos também tiveram, como resposta, marchas massivas que aconteceram dias depois.

Nesta segunda-feira (11), o senador socialdemocrata Alejandro Guillier, que foi o rival de Piñera no segundo turno em 2017, propôs que o presidente renunciasse, em conjunto com todos os senadores e deputados do país, e que fossem convocadas eleições gerais. “Para construir um novo Chile, você deve tomar a iniciativa de chamar a eleições antecipadas à Presidência da República e à totalidade do Congresso Nacional (…) nessas mesmas eleições gerais, os chilenos e as chilenas deverão poder decidir o mecanismo para a nova Constituição”, solicitou o senador, em mensagem por Twitter direcionada ao presidente.

Seu colega de Senado, o progressista Alejandro Navarro, reforçou esse discurso: “todos devemos colocar nossos cargos à disposição, e eu estou disponível para isso, porque o Executivo hoje carece de legitimidade, o Congresso também carece de legitimidade, e a melhor saída é convocar eleições antecipadas”.


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