No rastro do óleo do Nordeste
08 de novembro de 2019, 12h31

Justiça liberta militar que foi preso por se negar a reprimir chilenos durante Estado de exceção

O soldado David Veloso passou 18 dias preso por desacatar ordem para reprimir os atos no Chile. "Quero retribuir com o meu apoio às pessoas que estão lutando em todo o país por uma vida melhor”, disse, ao ser libertado

O soldado chileno David Veloso (Reprodução)

Direto do Chile, especial para a Fórum

O clima de liberdade para os injustiçados está no ar na América do Sul. Também no Chile, onde a noite de quinta-feira (7) marcou a saída da prisão do soldado David Veloso, que estava preso desde o dia 20 de outubro, por se negar a atuar durante o Estado de exceção que vigorou no país no começo da crise social.

Naquele mesmo dia 20 de outubro, horas depois de o presidente Sebastián Piñera oficializar o decreto e permitir a ação das Forças Armadas em tarefas de segurança interna, o quartel onde Veloso servia, na cidade de Antofagasta (extremo norte do país), convocou uma equipe que seria enviada a Santiago, para trabalhar em uma missão. O soldado se recusou a fazer parte da equipe e jogou seu fuzil no chão, segundo consta nos autos do processo contra ele na Justiça Militar. Foi imediatamente preso por insubordinação.

Graças à ação de advogados de Direitos Humanos, a Corte Suprema do Chile (similar ao STF no Brasil) ordenou que Veloso fosse colocado em liberdade. Após sair da prisão, o soldado de 21 anos aproveitou a presença dos meios de comunicação para enviar uma mensagem aos manifestantes chilenos: “quero agradecer a todo o povo do Chile, talvez muitos não soubessem da minha situação porque o caso permaneceu em segredo durante um tempo, mas houve um apoio grande quando ele foi revelado, e por isso me sinto agradecido e quero retribuir com o meu apoio às pessoas que estão lutando em todo o país por uma vida melhor”.

Os advogados que atuaram no caso ainda questionam na Justiça se o soldado foi vítima de torturas enquanto esteve preso, mas o próprio preferiu não fazer comentários públicos sobre isso enquanto não houver uma palavra final da Justiça sobre o tema.


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