Mulheres e indígenas serão maioria no Senado da Bolívia

Além da volta da esquerda ao poder, país andino terá um novo parlamento com mais representação feminina e de povos originários. Mulheres também são maioria entre indígenas eleitos

A eleição na Bolívia, no dia 18 de outubro, não marcou apenas o retorno ao poder do projeto progressista do MAS (Movimento Ao Socialismo), com a vitória de Luis Arce, como também trouxe uma grande novidade nos resultados legislativos. Isso porque o novo Senado do país será composto por uma maioria de mulheres, pela primeira vez na história.

A partir do dia 8 de novembro, elas ocuparão 20 das 36 cadeiras da câmara alta da Bolívia. Será a primeira vez na história do país em que elas serão a maioria nessa instância.

Antes que alguém pense em atribuir essa maior representatividade a uma hipotética mudança no país provocada pelo governo tampão da ditadora Jeanine Áñez – imposta no poder pelas Forças Armadas após o golpe de Estado de novembro de 2019 –, vale ressaltar que 10 dessas 20 mulheres foram eleitas pelo MAS.

Outro dado importante é que os indígenas serão metade dos representantes: 18 cadeiras serão ocupadas por representantes de povos originários bolivianos. Porém, vale ressaltar que nesse grupo há 10 mulheres indígenas eleitas e 8 homens. Portanto, as mulheres lideraram esse aumento da participação indígena.

Nunca está demais recordar, também, o caso de Patricia Arce, mulher indígena que era prefeita da cidade de Vinto, e que dias antes do golpe de 2019 foi alvo de um violento ataque de grupos racistas, e que terminou sendo eleita senadora e um dos símbolos da vitória do MAS no dia 18 – tanto que alguns rumores indicam que o partido pretende propor seu nome para assumir a presidência do Senado.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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