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27 de outubro de 2019, 10h56

Papa Francisco mira Bolsonaro em missa de encerramento do Sínodo da Amazônia: “Quanta superioridade presumida”

“Quantas vezes quem está à frente, como o fariseu relativamente ao publicano, levanta muros para aumentar as distâncias, tornando os outros ainda mais descartados. Ou então, considerando-os atrasados e de pouco valor, despreza as suas tradições, cancela suas histórias, ocupa os seus territórios e usurpa os seus bens", disse o papa

Papa Francisco em missa de encerramento do Sínodo da Amazônia (Reprodução)

Na missa de encerramento do Sínodo da Amazônia, neste domingo (27) no Vaticano, Papa Francisco mirou seu sermão na política predatória de Jair Bolsonaro na região. Em mea culpa, referindo-se à atuação da própria Igreja na doutrinação de indígenas durante o processo de colonização do Brasil, o pontífice disse que “os erros do passado não foram suficientes para deixarmos de saquear os outros e causar ferimentos aos nossos irmãos e a nossa irmã terra: vimos isso no rosto desfigurado da Amazônia”.

“Quantas vezes quem está à frente, como o fariseu relativamente ao publicano, levanta muros para aumentar as distâncias, tornando os outros ainda mais descartados. Ou então, considerando-os atrasados e de pouco valor, despreza as suas tradições, cancela suas histórias, ocupa os seus territórios e usurpa os seus bens”, disse o papa, em uma crítica direta às políticas de Bolsonaro que têm a pretensão de incluir indígenas na chamada “cultura judaíco-cristã”.

Em trecho improvisado, o papa ainda criticou a pretensa superioridade com que os governantes tratam os povos nativos da Amazônia.

“Quanta superioridade presumida, que se transforma em opressão e exploração, ainda hoje! Vimos isso no Sínodo quando falamos sobre a exploração da Criação, das pessoas, dos habitantes da Amazônia, do tráfico de pessoas e do comércio de pessoas!”, afirmou.

A missa, na Basílica de São Pedro, encerrou as três semanas da assembleia do sínodo. No sábado, foi divulgado um documento de 33 páginas, com propostas como a ordenação de homens casados para atuar na Amazônia, a criação do “pecado ecológico”, o respeito à religiosidade não cristã indígena e o estabelecimento de um “observatório pastoral socioambiental”.

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