Parlamento de Israel tira Netanyahu após mais de dez anos e várias denúncias de corrupção

No lugar entra o ultradireitista Naftali Bennett, eleito em coligação que vai da esquerda radical à direita nacionalista

Após mais de uma década no comando de Israel, Binyamin Netanyahu, 71, o premiê com a trajetória mais longeva do país, deixa o cargo. O Parlamento aprovou neste domingo (13), por 60 votos a favor e 59 contrários, o nome do ultradireitista Naftali Bennett como seu sucessor —a Casa tem 120 cadeiras, e um dos integrantes se absteve.

A coalizão de oito partidos que apoia o novo primeiro-ministro é muito ampla e vai da esquerda radical à direita nacionalista: são dois partidos de esquerda; dois partidos de centro; três partidos de direita; e um partido árabe (o conservador Ra’am), pela primeira vez num governo de Israel.

O Knesset (Parlamento) se reuniu numa sessão especial para que o líder da oposição, o centrista Yair Lapid, e o chefe da direita radical Naftali Bennett apresentassem a equipe do novo governo, que em seguida foi ratificada em votação. Bennet é o novo premiê, e será empossado como tal ainda neste domingo.

O principal objetivo da frente era remover Netanyahu, de 71 anos, que está sendo julgado há um ano por suspeita de corrupção. Protestos pedindo sua renúncia ocorrem há meses. O último deles foi na noite de sábado.

Em frente à sua residência oficial em Jerusalém, os manifestantes não esperaram a votação no Parlamento para celebrar a “queda” do “rei Bibi”, o apelido de Netanyahu, que foi chefe de governo de 1996 a 1999 e, depois, de 2009 a 2021.

Bennett é o chefe do partido de direita Yamina e vai liderar o país pelos primeiros dois anos, e depois por Yair Lapid por um período equivalente.

O partido Likud de Netanyahu se comprometeu com uma “transição pacífica de poder” após mais de dois anos de crise política com quatro eleições, cujos resultados não permitiram a formação de um governo ou levaram a uma união nacional que durou apenas alguns meses.

Depois das últimas eleições legislativas em março, a oposição se uniu contra Netanyahu e surpreendeu ao conquistar o apoio do partido árabe-israelense Raam, do líder moderado Manssur Abbas.

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“O governo trabalhará para toda a população, religiosa, laica, ultraortodoxa, árabe, sem exceção”, prometeu Bennett.

“A população merece um governo responsável e eficaz que coloque o bem do país em primeiro lugar em suas prioridades”, acrescentou Lapid, que deve se tornar ministro das Relações Exteriores.

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Com informações do G1

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.

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