Presidenta legítima do Senado boliviano é agredida por policiais golpistas ao tentar retomar mandato

Adriana Salvatierra, que foi forçada a renunciar durante o golpe de Estado, voltou à Assembleia para reunião que busca reforçar a estratégia de desconhecer autoridades golpistas

A polícia boliviana, agora oficialmente sob ordens dos golpistas Luis Fernando Camacho e da autoproclamada presidenta Jeanine Áñez, atacaram violentamente a senadora Adriana Salvatierra, quando ela queria ingressar ao edifício da Assembleia Nacional, em La Paz, na tarde desta quarta-feira (13).

Em um impasse que demorou ao menos dez minutos, Salvatierra teve que enfrentar um batalhão de mais de 20 policiais que a agrediram fisicamente, na tentativa de impedir sua entrada. Durante o ataque policial, a política boliviana chegou a ter sua blusa rasgada, e produzir lesões nos braços e nas costas.

A senadora chegou ao edifício para se reunir com outros parlamentares do partido Movimento ao Socialismo (MAS), do qual fazem parte ela (presidenta do Senado), Evo Morales (presidente) e Álvaro Garcia Linera (vice-presidente). Seus respectivos cargos foram escritos aqui em parêntesis porque os três foram obrigados pelos militares a renunciar, durante o golpe de Estado realizado no domingo (10).

Reunião

A chegada de Salvatierra à Assembleia e sua reunião com deputados evistas podem marcar um avanço na tentativa de retomar a institucionalidade no país. Depois da autoproclamação de Áñez, um grupo de parlamentares do MAS, maioria no Legislativo, anunciou a estratégia de desconhecer não só a autoridade da líder golpista, como também a de não acatar as renúncias de Morales, Linera e Salvatierra.

É importante destacar o fato de que Salvatierra era a presidenta do Senado da Bolívia até ser obrigada a renunciar durante o golpe, e é essa renúncia forçada que permite a Áñez, que era vice-presidenta do Senado até então, a retórica de que teria o direito de assumir o poder.

Assista ao vídeo:

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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