“Puta de mierda”: policiais espanhóis atacam mulheres que protestavam contra a monarquia

Espanha viveu terceiro dia seguido de protestos pelo fim da monarquia e pela liberdade de Pablo Hasél, detido por compartilhar canções que criticam a família real e seu envolvimento com casos de corrupção

Esta quinta-feira (18) foi o terceiro dia seguido de fortes protestos nas principais cidades da Espanha pelo fim da monarquia e contra a prisão do rapper catalão Pablo Hasél, ocorrida na última terça-feira.

Ao menos 8 cidades registraram grandes marchas antimonarquistas e enfrentamentos entre manifestantes e policiais – além de Barcelona e Madri, também houve protestos em Valência, Bilbao, Zaragoza, Gijón, Vigo e Granada.

As manifestações em Madri e Barcelona foram as mais numerosas e também as que vêm rendendo mais vídeos compartilhados nas redes sociais. Em um deles, que viralizou entre os usuários do Twitter em idioma espanhol, policiais madrilenhos ofendem gratuitamente um grupo de mulheres xingando-as de “putas de merda”, entre outros insultos, e até que finalmente as atacam em grupo e começam a agredi-las com cacetetes – algumas delas se defendem com objetos que encontram ao redor do local, outras conseguem fugir.

A onda de protestos na Espanha foi iniciada após a detenção do rapper catalão Pablo Hasél, condenado pelos crimes de “incitação ao terrorismo” e “injúrias e calúnias contra a Coroa”.

Contudo, a contextualização do caso mostra outro cenário: Hasél é um músico conhecido por seu ativismo político. Entre outras causas, ele defende a independência da Catalunha do resto da Espanha, e a acusação à “incitação ao terrorismo” surge de seu apoio a grupos que também são favoráveis a isso.

Ademais, a causa independentista luta por uma República da Catalunha, e seus seguidores, como Hasél, são bastante críticos da monarquia espanhola.

A acusação de injúrias contra a família real surge da divulgação de trechos de músicas do seu último álbum, “Canciones para la revuelta y la soledad”, nas quais ele chama o ex-monarca Juan Carlos de “ladrão”, “filho de ditador” e “assassino de elefantes”.

Vale lembrar que o antigo rei da Espanha fugiu do país em meados de 2020, para não ter que enfrentar um processo por corrupção, situação que faz com que a monarquia espanhola enfrente seu momento de maior questionamento diante da opinião pública desde o fim da ditadura de Francisco Franco, em 1975.

Além de Hasél, outros rappers com discurso antimonarquista foram presos ou estão sendo processados pela mesma acusação de “injúrias e calúnias contra a Coroa”, situação que alimenta a indignação popular contra essas decisões judiciais.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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