Rei da Bélgica pede perdão ao Congo pelo genocídio durante período colonial

Monarca Filipe Leopoldo é tataraneto de Leopoldo II, responsável pela morte de mais de 3 milhões de pessoas durante o período colonial. Pedido acontece no dia do aniversário de 60 anos da independência da República Democrática do Congo

Nesta terça-feira (30), o rei Filipe Leopoldo, da Bélgica, difundiu uma carta pública ao presidente da República Democrática do Congo, Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, na qual pede perdão oficialmente pela violência cometida pelo seu país durante o período colonial do país africano.

“Na época do Estado Livre do Congo, foram cometidos atos de violência e crueldade, que ainda pesam em nossa memória coletiva. O período colonial que se seguiu também causou sofrimento e humilhação”, afirmou o rei.

Durante o final do reinado de Leopoldo II (tataravô de Filipe Leopoldo), entre os anos de 1885 e 1908, o território do Congo era oficialmente uma colônia da Bélgica, embora, na prática, fosse administrada como uma propriedade pessoal do monarca.

Se estima que, nesse período, o exército belga, a mando do rei, assassinou cerca de 3 milhões de pessoas (alguns relatos de historiadores chegam a falar em até 15 milhões). Apesar da controvérsia sobre o total de vítimas, não há dúvidas de que se tratou de um dos maiores genocídios da história da humanidade.

A carta também expressa as felicitações do país europeu pelo 60º aniversário da independência do Congo, e o gesto do pedido de perdão foi guardado para esta data justamente para coincidir com a celebração, segundo as autoridades belgas.

“Este aniversário é uma oportunidade para renovar nossos sentimentos de profunda amizade e nos alegrar com a intensa cooperação que existe entre nossos dois países em tantos campos, e especialmente no campo médico, que nos mobiliza durante esse período de pandemia. Continuarei lutando contra todas as formas de racismo, e promovendo a reflexão para que a nossa memória seja finalmente pacificada”, concluiu a carta.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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Renato Rovai
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